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BB e Nossa Caixa assinam acordo rumo à incorporação
O Banco do Brasil e a Nossa Caixa assinaram
nesta terça-feira (27), em São Paulo, um acordo de confidencialidade de
informações sobre o processo de compra do banco pertencente ao Estado de São
Paulo pelo banco federal, anunciado na noite do dia 21.
Segundo o governador paulista, José Serra, “o
que houve até agora foi uma proposta do Banco do Brasil, foi o Banco do Brasil
que nos procurou manifestando seu interesse. Então, concordamos com a idéia de
recebermos uma proposta”.
A operação irá consolidar ainda mais a posição
de primeiro lugar do Banco do Brasil no ranking das maiores instituições
financeiras do país. A Nossa Caixa está em 12ª lugar, com ativos que totalizaram
R$ 51,4 bilhões no primeiro trimestre deste ano e um lucro líquido de R$ 114,9
milhões, no mesmo período. Além disso, a Nossa Caixa detém R$ 16 bilhões em
depósitos judiciais do estado. Por lei, não podem ser feitos em bancos privados.
“O interesse do Banco do Brasil, em grande medida, é comprar a Nossa Caixa para
receber também esses depósitos. Eles nunca iriam para um banco privado. Nesse
sentido, é natural pensar que a proposta do Banco do Brasil será sempre melhor
para o Estado de São Paulo, implicará trazer mais recursos do que, em princípio,
propostas de banco privado”, afirmou o governador de São Paulo.
Os bancos privados estrilaram ante a intenção do
governo do Estado em vender a Nossa Caixa para um banco estatal. De acordo com
Serra, “não aconteceram” propostas de compra por parte dos bancos privados. “Se
quiserem fazer [uma proposta], podem fazer. Mas o Banco do Brasil tem mais
interesse porque é um banco público e poderá ficar com os depósitos judiciais”,
disse.
“Não é nada razoável que um Estado, ente
federado da União, do porte de São Paulo, com sua pujança na agricultura, na
indústria e na economia nacional como um todo fique sem uma instituição
financeira pública de fomento para investir no desenvolvimento paulista”,
afirmou o deputado estadual Enio Tatto (PT-SP), membro da Comissão de Finanças e
Orçamento da Assembléia Legislativa e Líder da minoria.
Para a concretização da venda da Nossa Caixa é
necessária a aprovação da Assembléia Legislativa. O presidente da Casa, deputado
José Carlos Vaz de Lima (PSDB), avalia que isso poderá ocorrer no prazo de 30
dias após o envio de projeto pelo governo do Estado. “Se for encaminhado um
projeto de lei que solicita a incorporação da Nossa Caixa pelo BB com as devidas
avaliações técnicas e jurídicas, penso que este projeto poderá tramitar
celeremente na Assembléia. Se por acaso, o formato for outro, isso demandaria
uma discussão muito mais ampla”. |