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Unasul muda a geopolítica da América do Sul, afirmou Lula
Para presidente,
cobertura da mídia sobre a Cúpula que criou a Unasul foi um fracasso
O
presidente Lula afirmou, na segunda-feira, em seu programa semanal de rádio
“Café com o Presidente” que a criação da Unasul (União de Nações Sul-Americanas)
representou um grande avanço para a região. “Representou a mudança na
geopolítica da América do Sul”, salientou. “Mudou também a compreensão nos
países da região de que juntos poderemos ser muito mais fortes e muito mais
soberanos”, disse Lula.
“Quando tivemos a idéia de criar a Unasul em
dezembro de 2004, parecia uma coisa impossível, porque aqui na América do Sul
fomos preparados, doutrinados para acreditar que não daríamos certo em nada,
que somos pobres, que brigamos muito, e que temos que depender dos Estados
Unidos e da União Européia”, acrescentou.
Ele criticou a cobertura feita por parte da
mídia brasileira do encontro da Cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul),
realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (ver matéria na
página 6). “A imprensa brasileira retratou, sobretudo, a imprensa escrita, como
sendo um fracasso, quando na verdade, para quem já foi governo e faz política na
América do Sul, sabe que o que conseguimos fazer, na sexta-feira, foi algo de
uma dimensão incomensurável”, disse Lula. “Setores da mídia demoram para
enxergar as coisas boas que estão acontecendo no Brasil e na América do Sul”,
acrescentou. “Eu acho que vamos vencendo as barreiras e vamos vencendo também os
céticos, as pessoas que não acreditam em nada”, prosseguiu.
“Quanto mais fortes, economicamente, forem os
países da América do Sul, mais tranqüilidade vamos ter, mais paz, mais
democracia, mais comércio, mais empresas, mais empregos, mais renda, mais
desenvolvimento”, avaliou.
Lula reafirmou ainda que o próximo passo após a
criação da Unasul será a formação do Conselho de Defesa Sul-Americano. Segundo o
presidente, dentro de 90 dias será concluída a proposta final do Conselho. “Na
verdade, muita coisa ainda não se concretizou. Agora estamos criando o Banco da
América do Sul. Vamos caminhar para, no futuro, termos um banco central único,
para ter moeda única, vamos caminhar para isso. Agora, isso é um processo, não é
uma coisa rápida”, declarou. “Na reunião foi apresentado (o Conselho), ficou
para a gente elaborar melhor a proposta nos próximos 90 dias, tirar algumas
divergências e, então, aprovar. A verdade é que dos 12 países, apenas a Colômbia
colocou objeção”.
“Era impossível, cinco anos atrás, a gente
pensar que a situação da América do Sul estivesse do jeito que está, com muitos
presidentes comprometidos com a maioria do povo – eleitos democraticamente –,
com a inclusão social, com as instituições se fortalecendo e com a criação da
União Sul-Americana de Nações. Para um leigo parece pouco, mas para alguém que é
presidente da República da economia mais importante da América do Sul, esse é um
fato extraordinariamente importante. E eu estou muito feliz porque agora temos
mais responsabilidade, temos que trabalhar mais, e quem vai ganhar com isso, no
final das contas, é o povo sul-americano”, assinalou.
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