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Lula: “nenhum produto reduziu o preço com o fim da CPMF”
O presidente Lula afirmou na segunda-feira, no
Rio de Janeiro, durante a cerimônia de abertura do XX Fórum Nacional do
Instituto Nacional de Altos Estudos (INAE), que quem saiu prejudicado com o
fim da CPMF no Brasil foi a Saúde Pública. “Tiraram do Orçamento do governo
40 bilhões de reais por ano. E quem perdeu com isso foi o PAC da Saúde, que
já tínhamos lançado”, denunciou Lula.
“Me desculpem os empresários aqui presentes, mas
eu não vi nenhum produto reduzir de preço depois que acabou a CPMF. Me
parece que não foi passado para o custo do produto os 0,38%. Parece que
aumentou apenas nos ganhos daqueles que pagavam CPMF, porque muita gente
ainda teima em acreditar que o Estado tem que ser fraco”, destacou,
lembrando a campanha da mídia e da oposição contra a CPMF. “O Estado fraco
não governa, o Estado fraco não revolve os problemas”, salientou Lula. “É
diferente um Estado não se meter a ser administrador daquilo que a
iniciativa privada faz e o Estado deixar de cumprir com as suas obrigações
de atender, sobretudo, a justeza das regras do jogo e governar pensando em
ajudar a parte mais pobre da população”, acrescentou.
Lula anunciou a realização, em novembro, de um
grande evento internacional em São Paulo para debater alimentos, inflação e,
sobretudo, a questão da nova matriz energética e a poluição. “É muito
engraçado que os países responsáveis por 70% da poluição do planeta, agora
ficam de olho na Amazônia da América do Sul, como se fosse apenas nossa a
responsabilidade de fazer o que eles não fizeram durante todo o século
passado”, denunciou.
“Eu queria aproveitar”, disse Lula, “para dizer
que o mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono e que o dono
da Amazônia é o povo brasileiro”. “Temos consciência de que é preciso
diminuir o desmatamento, é preciso diminuir as queimadas. Mas também temos
consciência de que precisamos desenvolver a Amazônia, afinal de contas, lá
moram quase 25 milhões de habitantes que querem ter acesso aos bens que nós
temos no Rio de Janeiro, em São Paulo ou em qualquer outro lugar”, disse.
O presidente criticou a demagogia do países
ricos na questão da poluição. “O protocolo de Quioto já faliu. Foi muito
bonito assinar, maravilhoso, todo mundo assinou, agora, quem tinha que tomar
medidas para cumprir o protocolo de Quioto, nem referendou. Fomos nós que
referendamos, e somos nós, com a utilização de 100% de etanol, que reduzimos
ou tiramos do ar 800 milhões de toneladas de CO2”, disse.
Lula disse ainda que “nenhuma nação do mundo
conseguiu se desenvolver de forma vigorosa sem acreditar nas suas próprias
forças, sem despertar suas energias adormecidas, sem ser estimulada pela
esperança de um mundo melhor”. “Nesse aspecto tão crucial, constato com
alegria que o país deu uma virada nos últimos anos. Conquistamos algo que
não se mede em números, mas é decisivo para retomarmos o caminho do
desenvolvimento: o país voltou a acreditar em si mesmo”, prosseguiu.
Lula falou do forte crescimento econômico das
nações emergentes e disse que “no plano econômico, estamos assistindo à
emergência de novos mercados e ao começo do fim do crescimento global,
puxado apenas pela demanda do consumidor norte-americano”. “Há claros sinais
de que os países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, serão responsáveis
por metade da taxa de crescimento da economia mundial em um futuro bem
próximo”, destacou o presidente da República.
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