|
Nasce Unasul para unir economia e ação cultural e
social no continente
Chefes de Estado de 12 países da América do Sul aprovam a criação da Unasul para
construir a ação unificada dos povos do continente nos terrenos político,
econômico, cultural e social
Em Brasília, os
chefes de Estado das doze nações da América do Sul – Brasil, Venezuela,
Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname,
e Uruguai - finalizaram o processo que se iniciou com a criação da Comunidade
Sul-Americana de Nações, em 2004, e que na Ilha Margarita (Venezuela), em 17 de
abril de 2007, avançou em direção à agora denominada Unasul.
O Tratado
Constitutivo da União de Nações define como objetivo construir, de maneira
participativa e consensual, um espaço de integração e união nas questões
cultural, social, econômica e política entre seus povos, outorgando prioridade
ao diálogo político, às políticas sociais, a educação, a energia, a infra-estrutura,
o financiamento e o meio ambiente, entre outros, com o intuito de eliminar a
desigualdade socioeconômica, e conseguir a inclusão social.
Os princípios
reitores da Unasul são o irrestrito respeito à soberania, integridade e
inviolabilidade terri-torial dos Estados; autodeterminação dos povos;
solidariedade; cooperação; paz; democracia; participação cidadã e pluralismo;
direitos humanos universais.
A Unasul envolve
cerca de 280 milhões de habitantes, quatro idiomas (espanhol, português, inglês
e neerlandês), liderança na produção de alimentos, segundo lugar em produção de
energia. As maiores reservas de água potável (aqüífero guarani), de
biodiversidade (a Amazônia), e vastas jazidas de hidrocarbonetos (Santos,
Orinoco, Tarija, Camisea) se encontram neste subcon-tinente. E, em contrapartida,
cerca de 50% da população vive sob a linha de pobreza. “Precisamos de
investimentos na Bolívia. Precisamos fortalecer o Uruguai, o Paraguai e Bolívia.
Temos a obrigação de ajudá-los, porque quanto mais fortes sejam os países
sul-americanos, vamos ter mais tranqüilidade, paz, mais democracia, comércio,
emprego, renda e desenvolvimento”, apontou o presidente Lula.
A Unasul se
organiza como um bloco aberto. Nesse sentido, os restantes países
latino-americanos e do Caribe poderão participar, inicialmente como membros
associados, e em cinco anos se definirá se podem virar Estados membros. “A
criação da Unasul é a realização de um sonho”, afirmou o presidente Lula,
comemorando a assinatura em Brasília, na sexta-feira, dia 23, do documento de
fundação da União de Nações Sul-americanas e convidou a “lembrar o que era a
América do Sul até há poucos anos e o que é agora. Há uma evolução
extraordinária”.
“Parecia uma
coisa impossível porque aqui, na América do Sul, nós fomos preparados,
doutrinados para acreditar que nós não daríamos certo em nada, que nós somos
pobres, que nós brigamos muito, e que nós temos que depender dos Estados Unidos
e da União Européia”.
SUSANA SANTOS |