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Chávez considera criação da
Unasul um êxito monumental
“Hoje
é um dia monumental. Eu dizia esta manhã, na reunião a portas fechadas, dos
presidentes e chanceleres, que temos que olhar para trás. Temos que olhar
com perspectivas para nos dar conta de como as coisas estão mudando, e como
estamos avançando neste processo unitário”. “É o êxito da jornada, graças a
Lula”, disse o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sobre a criação da
Unasul em coletiva de imprensa realizada em Brasília no último dia 23. O
encontro contou com a presença do jornalista Beto Almeida, diretor da
Telesur, o escritor Fernando Morais e o professor e escritor Emir Sader.
“Lula nos convidou para um café da manhã”, contou Chávez. “Eu cheguei às 5,
6 da manhã, quase direto para o café. Bem, estávamos ali falando das
necessidades de seguir aprofundando e formando um bloco forte, um motor mais
forte, muito mais acelerado, que impulsione todos os processos até a
integração operativa. Dizia Ribeiro [Darcy Ribeiro] que não se trata de
falar de integração, não! Se trata de que tipo de integração. Até onde se
orienta a integração? Nós não temos dúvidas. Se trata de formar um bloco de
forças, um bloco de países. Um bloco econômico, político, cultural”, disse.
HISTÓRIA
“O que ocorreu hoje aqui, homens e mulheres do Brasil, em nossa
América, é monumental. É histórico”, afirmou o presidente venezuelano”.
“Hoje o império norte-americano saiu daqui derrotado”.
Chávez resgatou que “nos elegeram milhões e milhões em uma demonstração de
vontade que é a expressão de uma grande esperança. Nós não podemos defraudar
essa esperança. De milhões aqui no Brasil, milhões na Venezuela, milhões na
Argentina, no Equador, na Bolívia. Agora, quem são esses milhões e milhões?
Sobretudo, os pobres. Além disso, e isso é muito bom, temos um desafio, nós
líderes de esquerda hoje na América Latina, de sermos capazes de atrair a
nossos projetos a classe média, se somar ao processo de mudança. Impedir que
a classe média seja captada pelas oligarquias. E utilizada pelas
oligarquias”.
Sobre os militares, Hugo Chávez ressaltou que “é importante que os militares
sul-americanos não voltem a ser usados como Exército de ocupação em seu
próprio país pelo poder imperial, senão que venhamos a abraçar o nosso povo.
Para que? Para esse processo unitário, libertador. Isso é outra coisa, o
processo deve ser unitário, deve ser libertador para romper as
dependências”.
“Tomamos o conceito e a condição de União. Não estamos falando de
integração – que também é um processo, uma dinâmica. Mas, a união é um
objetivo. Simon Bolívar nunca falou de integração. A integração foi muito
vendida pelo neoliberalismo. A união, assim como o punho. O bloco, dizia Bolivar, de Nações na América do Sul. A União de Nações Sul Americanas”.
OLIGARQUIAS
Após recordar a derrota dos EUA na intenção de impor a Alca aos
países sul-americanos, Chávez afirmou: “O império contra-ataca, como diz o
filme”. “Agora estão se recompondo. Essa recomposição faz parte de uma
ofensiva dirigida a partir de Washington. A recomposição das oligarquias em
nossos países. Exemplo disso é a ofensiva contra Evo Morales. Fazer a
Bolívia em pedaços. Na Venezuela estão tramando uma nova ofensiva. E, na
Argentina dizem: Hugo Chávez contra Cristina. O mesmo na América Central. E
a Quarta Frota. É o império mostrando os dentes. Agora, ao império temos que
dizer o que dizia Mao Tse Tung: - Termina sendo um Tigre de Papel. Tigre de
Papel. Não temos medo de você. Nós somos Tigres de Aço”.
Sobre a Telesur, como lembrou Beto Almeida completa três anos no dia 24 de
julho, Chávez considerou que “é parte de um fenômeno cultural a caminho da
união sul-americana. Vem à frente. Por que? É como na batalha, é a vanguarda
cultural, um novo enfoque de comunicação. Este é um processo que se move em
diferentes níveis, em diferentes dimensões e velocidades”.
Perguntado sobre a formação de um Conselho de Defesa Sul Americano, Chávez considerou que “a maneira e a velocidade com a qual – esta proposta
que Lula fez há apenas alguns anos - essa proposta vem avançando nas últimas
semanas é uma demonstração da capacidade que hoje temos de lançar propostas
que não caiam no vazio, que não sejam levadas pelo vento. Dez anos atrás,
quase dez anos, eu lancei uma idéia, mas eu era o único diabo. Por que não
criar uma OTAS? Uma Organização do Tratado do Atlântico Sul. Se existe uma
OTAN... Bem, aquilo caiu no vazio, o vento levou”. “Agora, o fato é que onze
países, dos doze sul-americanos, votaram a favor do Conselho Sul Americano
de Defesa, apenas a Colômbia disse que não se opõe mas que não está em
condições de participar. Bem, estamos seguros que mais adiante a Colômbia
também participará, mas não é um obstáculo para seguirmos avançando na
idéia. Hoje ficou acordado designar um grupo de trabalho para que apresente
nos próximos meses, aos presidentes, um esquema mais elaborado. Diria que
esse grupo de trabalho possa ser presidido pelo ministro Jobim, da Defesa do
Brasil. Ele esteve em Caracas e conversamos muito. Eu estou muito contente,
como soldado que sou, com essa proposta. E creio que marcha nesta direção o
que se referia Darcy Ribeiro como a integração operativa”. |