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França repele
com greve geral ataque de Sarkozy aos direitos
“Não mexam com
a minha aposentadoria”: trabalhadores marcham por Paris e mais 152 cidades
contra tentativa de Nicolas Sarkozy - o mais impopular presidente em 50 anos
- de aumentar para 41 anos o tempo de contribuição
Centenas de milhares de trabalhadores franceses
paralisaram suas atividades na quinta-feira dia 22 e foram às ruas contra a
tentativa do presidente Nicolas Sarkozy, “le americaine”, de esticar em
mais um ano o tempo de contribuição para a aposentadoria, que já é de 40
anos – esse, um dos vários ataques que tem anunciado contra os direitos
trabalhistas e as conquistas sociais.
Convocada unitariamente pelas centrais sindicais
CGT, CFDT, FO e mais duas, menores, a greve geral pôs em destaque a “queda
vertiginosa” – nos termos da agência de notícias Reuters - da “popularidade”
do presidente Nicolas Sarkozy, em cuja companhia também vem despencando seu
primeiro-ministro. A mesma Reuters assinalou que “há 50 anos um presidente
francês não tinha um desempenho tão ruim após um ano de mandato” –
completado na véspera do ato. As manifestações se estenderam de Paris, a
maior delas, a mais 152 cidades na França inteira.
BASTILHA
“Não mexa com minha aposentadoria”, clamaram
trabalhadores na colorida manifestação na Praça da Bastilha, em Paris, em
que um boneco de Sarkozy, pintado de ouro e com uma coroa na cabeça, era
ridicularizado. “Quarenta anos já é tempo demais”, denunciaram mais vozes.
Também participaram da marcha muitos estudantes e professores, assim como
grande número de aposentados e de desempregados. Como assinalou documento da
CGT de avaliação da manifestação, a maioria era de assalariados do setor
privado. Na marcha, inúmeras faixas, cartazes e bandeiras vermelhas (CGT) e
azuis (CFDT).
A paralisação atingiu unidades produtivas,
transportes públicos – metrô e trens -, escolas, e serviços, como o
atendimento não-essencial da estatal de eletricidade EDF. Os portos pararam
em repúdio à privatização parcial do sistema de docas, enquanto pescadores
protestavam contra a especulação com os preços do petróleo. Vôos foram
cancelados ou atrasados. “A escalada das manifestações irá mostrar ao
governo, sob pressão, que terá de rever seus planos”, afirmou o
secretário-geral da CGT, Bernard Thibault, que apontou a mobilização “em
defesa do sistema de aposentadoria solidária”, como “um grande sucesso”.
Para pôr a mão nos recursos da previdência, os pretextos de Sarkozy & Co.
não diferem muito dos que são aventados por aqui: “déficit”, “expectativa de
vida maior” e a maravilha do sistema norte-americano de fundos de pensão –
aqueles que, quando a Enron, ou o Bear Stearns, vão à falência, viram
fumaça.
MANIFESTO
A CGT e a CFDT assinaram um manifesto pelos dez
anos da conquista da jornada de 35 horas semanais, e advertindo Sarkozy, que
não esconde seu objetivo de cassá-la. A presença em peso de estudantes e
professores tem uma explicação, além da solidariedade. Sarkozy anunciou que
vai cortar mais de 22 mil servidores públicos no próximo ano, sendo que a
metade será de professores. Ele também afirmou que, a partir de agora,
sempre que três servidores públicos se aposentem, só serão substituídos por
dois. Ou seja, ele advoga encolher em 30% o total de servidores públicos na
França, uma espécie de versão local do “estado mínimo”. No sábado, os
professores voltaram às ruas, como haviam feito no dia 15. Os cortes de
pessoal estão previstos para ter inicio em setembro. Na semana passada,
trabalhadores sem documentos – imigrantes – também foram às ruas, para
exigir direitos e repelir a xenofobia alimentada pelas manipulações de
Sarkozy.
ANTONIO PIMENTA
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