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Solidariedade
a vítimas do terremoto de Sichuan mobiliza toda a China
A China se uniu no socorro às vítimas da
província de Sichuan, no sudoeste do país, devastada por um terremoto de
grau 8 na escala Ritcher, o mais letal desde a revolução de 1949. O
terremoto ocorreu no dia 12 de maio, matando mais de 67 mil pessoas e
ferindo mais de 360 mil. Quase duas semanas depois, ainda há mais de 23 mil
desaparecidos. O terremoto desalojou 14 milhões de pessoas, e cinco milhões
perderam suas casas. Cidades inteiras terão de ser reconstruídas.
O país que se engalanava para as Olimpíadas de
Pequim se viu, de repente, diante da destruição e dor. Mas a tragédia foi
respondida com uma profunda manifestação de solidariedade e espírito
coletivo por parte do povo chinês. Dezenas de milhares de voluntários se
apresentaram, inclusive sobreviventes nos minutos que se seguiram ao
impacto. Além das operações de resgate, era preciso garantir água potável,
alimentos e abrigo aos milhões de desalojados – entre eles, muitas crianças
e idosos.
Para a operação de socorro, o governo enviou 150
mil soldados; 28 mil membros do PC chinês; dezenas de milhares de médicos,
bombeiros e especialistas em defesa civil; acionou um grande volume de
equipamentos e materiais, e aceitou a ajuda de 40 países, entre eles Cuba,
Rússia, França e inclusive os EUA. Um ministério chinês calculou em mais de
2 milhões de pessoas o número de integrantes do apoio, no país inteiro, ao
socorro a Sichuan.
O presidente chinês Hu Jintao e o
primeiro-ministro Wen Jiabao foram à província para orientar as operações. A
ordem foi revolver os escombros e salvar todos os que fosse possível, seja
nas cidades, ou em remotos grotões. Uma mulher de 102 anos, Li Xiaolan,
encontrada ainda viva pelas equipes de socorro, passados onze dias, é bem um
símbolo desse esforço. Paralelamente, foram tomadas medidas para evitar a
ocorrência de epidemias na área atingida. Além do excepcional tremor de
magnitude 8; ocorreram outros cinco tremores de grau 6; 28 de grau 5 e mais
de 100 de grau 4.
No dia 19 – ou seja, uma semana após os
primeiros mortos, de acordo com a tradição chinesa – a China inteira parou
por três minutos para homenagear as vítimas de Sichuan. Exatamente às 14h28
– a hora em que a terra tremeu - mais de 1 bilhão de pessoas manifestando
sua dor. Fábricas, lojas, escolas, órgãos públicos, quartéis, os
transportes: tudo parado. A tela da TV estatal chinesa fica negra. Soldados
e voluntários interrompem, pela primeira vez, seus trabalhos em Chemgdu. Os
três mais doídos minutos em meio século na milenar China. Então, alguém
começa a gritar na destroçada capital “Reconstrução”, e logo esse grito se
espalha pela multidão e pelos soldados e equipes de resgate.
“Reconstrução!”. No país inteiro, soam as sirenes e as buzinas, por toda a
parte.
No dia 24, o primeiro-ministro Jiabao anunciou
que os esforços de resgate continuavam, mas que era imprescindível mudar,
gradativamente, o foco dos trabalhos para o reassentamento dos desabrigados,
a restauração da produção e a reconstrução. 96% do fornecimento de energia
elétrica já foi restabelecido. Fábricas de tendas – o abrigo temporário
possível neste primeiro momento – foram acionadas pelo governo para
redobrarem a produção e atenderem à necessidade de mais de 4 milhões de
peças. A ajuda também vem do Brasil: água, comida, agasalhos e tendas, que
enchem nove vagões. A.P. |