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Centrais param hoje pela
redução da jornada sem redução de salário
As
seis Centrais Sindicais, CUT, CGTB, Força Sindical, Nova Central, CTB e UGT vão
hoje às ruas em todo o país na luta pela redução da jornada para 40 horas
semanais e pela recuperação da massa salarial do trabalhador
Em defesa da redução da jornada de trabalho sem redução
salarial, as seis centrais sindicais realizarão grandes mobilizações em todo o
Brasil hoje, 28 de maio, que incluirá paralisações, manifestações, atos e
panfletagens. Juntas, CUT, CGTB, CTG, Força Sindical, NCST e UGT realizam um Dia
Nacional de Mobilização em apoio ao Projeto de Emenda Constitucional (PEC) nº
393/01 que tramita no Congresso Nacional e prevê a redução da jornada de
trabalho de 44 horas para 40 horas semanais.
Entre os objetivos da mobilização está a luta pela
recuperação da massa salarial que, na década de 50, chegou a representar mais de
58% da renda nacional durante o governo Getúlio Vargas, colocando o salário do
trabalhador brasileiro em pé de igualdade com o dos países europeus mais
avançados. Já em 2002, no final do governo de Fernando Henrique Cardoso, a massa
salarial havia desabado para cerca de 30% renda nacional, o que significou um
profundo arrocho no salário do trabalhador brasileiro.
Além disso, os sindicalistas apontam um recente estudo do
Dieese que indica que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas
semanais teria o potencial de gerar cerca de 2.252.600 novos postos de trabalho
no país.
SÃO PAULO
Em São Paulo, haverá várias manifestações convocadas por diversas
categorias no decorrer do dia que contarão com a participação dos dirigentes das
centrais. A primeira será comandada pelos metalúrgicos de São Paulo e do ABC e,
logo após, os bancários e os comerciários realizarão manifestações no centro da
capital. O ato convocado pela CGTB acontece na Praça Ramos de Azevedo, às 11
horas, e deverá contar com a presença dos presidentes das demais centrais.
“As centrais sindicais estão a todo vapor na campanha pela
redução da jornada de trabalho, pois esta luta envolve questões como
produtividade e mão-de-obra. Só o patrão se apropria da produtividade gerada
pelas novas tecnologias, sem contar que estamos diante de uma mão-de-obra
barata, em relação aos outros países”, enfatizou Antonio Neto, presidente da
CGTB.
“Essa recuperação econômica iniciada no governo Lula agora
precisa se refletir no salário. É preciso que crescimento econômico e
desenvolvimento nacional também signifiquem ganhos para o trabalhador”, defendeu
Neto. Para ele, “o Brasil vive uma realidade de extremos: por um lado, há um
número elevado de trabalhadores desempregados e, por outro, grande parte dos que
estão empregados trabalham longas jornadas. Por isso, a redução da jornada sem
redução de salário é um importante instrumento para a criação de empregos, para
a distribuição de renda e melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro”.
FORÇA E UNIDADE
“O dia 28 de Maio vai mostrar a força do trabalhador e o
seu direito de reivindicar e conquistar. Vai marcar a unidade do movimento
sindical em torno de bandeiras de luta justas dos trabalhadores brasileiros, que
constroem a riqueza desta Nação”, afirmou Eleno Bezerra, vice-presidente da
Força Sindical.
O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores
(CUT), Artur Henrique, afirmou que com a redução da jornada “poderemos gerar
milhões de empregos, repartindo com o conjunto da sociedade os imensos ganhos
obtidos com o aumento da produtividade”. E completou: “os salários médios no
Brasil ainda estão abaixo da maioria dos países que mantêm relações comerciais
conosco. Esses dois fatores comprovam que há não apenas espaço, mas necessidade
da medida”.
Para o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira
da Silva (PDT-SP), “com o tempo livre, o trabalhador poderá usá-lo para elevação
do nível educacional, aumentando sua qualificação profissional. Todos sabemos:
trabalhador melhor qualificado resulta em melhoria na produtividade e aumento da
competitividade das indústrias”. Há ainda as vantagens sociais, acrescentou
Paulinho, “já que o trabalhador terá mais tempo para família e lazer. Há também
a diminuição dos problemas de saúde e acidentes de trabalho, resultado de
jornadas exaustivas”.
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