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IPCA menor em maio evidencia
terrorismo inflacionário do BC
Inflação medida
pelo IPCA-15 em maio ficou em 0,56%, abaixo da registrada em abril (0,59%)
Em nossa edição passada, apontamos aqui o
terrorismo inflacionário – ou inflacionista – do atual presidente do Banco
Central, Henrique Meirelles. Na quarta-feira, quando o HP chegava às bancas, a
divulgação pelo IBGE do IPCA-15, que mede a inflação entre os dias 15 do mês
anterior e 15 do mês corrente, acabava com as dúvidas a respeito do assunto. A
inflação medida por este índice ficou abaixo daquela registrada pelo mesmo
índice no mês anterior – 0,56% em maio contra 0,59% em abril. Meirelles e o mal
chamado “mercado” estavam prevendo uma alta de até 0,67%.
Reproduzimos outra vez o que Meirelles havia
dito, em sua entrevista à Agência Brasil, quatro dias antes da divulgação do
IPCA-15: “... existe, sim, uma inflação de alimentos, mas não é só de
alimentos. Temos desde a inflação de matérias primas, metais, não metálicos,
químicos, petróleo e uma atividade bastante aquecida levando também a uma
inflação na área de serviços”.
MAIS JUROS
Como decorrência, Meirelles prometia o
patriótico esforço de aumentar os juros, porque, claro, o país estava em perigo
– e só um titã como Meirelles para salvá-lo, através do heróico expediente de
aumentar a transferência de dinheiro público para os bancos, via juros da dívida
interna.
Meirelles destacava que a inflação não era “só
de alimentos” porque sabe – e, mais importante, sabe que outros sabem – que a
diminuição do consumo através de um aumento de juros não tem efeito algum sobre
o preço dos alimentos, porque a presente alta não se deve a fatores internos.
Ela é claramente provocada pela especulação desenfreada, cuja base é o domínio
mundial da produção - e, sobretudo, da comercialização - dos alimentos por
alguns poucos monopólios externos, a maioria norte-americanos. Obviamente, os
juros básicos do Brasil não agem sobre a especulação dos monopólios estrangeiros
no mercado internacional. Daí, Meirelles tomou a providência de arrumar
prontamente uma inflação geral para o país. Só a alta no preço dos alimentos não
justificaria aumentar os juros, mesmo por esse arremedo mambembe de teoria,
segundo a qual eles são o único remédio para a inflação.
Dizem que mais depressa se pega um mentiroso do
que um coxo. Às vezes, os ditados populares mostram-se mais verdadeiros do que
qualquer um de nós poderia supor.
ALIMENTOS
O IBGE informa: nada menos do que metade do
índice recém divulgado foi devida aos preços dos alimentos, em especial o
arroz (alta de 11,94%), o pão francês (alta de 5,84%) e o leite pasteurizado
(alta de 3,48%). O resto do IPCA-15 em maio foi causado pela alta nos serviços
bancários (5,28%), medicamentos (1,73%), artigos de limpeza (1,67%) e alguns
outros itens de menor importância.
Notemos que também no caso dos produtos
não-alimentícios e serviços que tiveram maior alta (serviços bancários,
medicamentos e artigos de limpeza), seus preços são determinados sobretudo por
monopólios externos (bancos, laboratórios farmacêuticos e a dupla
Unilever-Colgate). Ou seja, trata-se de preços de monopólio. O efeito de uma
diminuição do consumo sobre eles, em geral, é fazer o monopólio aumentar os
preços para compensar a queda nas vendas – exceto se o país estiver aberto a
importações baratas e predatórias, que têm a conseqüência de levar a economia ao
brejo da quebradeira e estagnação.
Porém, Meirelles sabe que não é essa a política
do presidente Lula. Por isso, a invenção de uma inflação ameaçadora, quando os
números estão dentro da própria “meta” que estabeleceu (e foi aprovada pelo
Conselho Monetário Nacional), para continuar a escalada dos juros e estancar o
crescimento – pois este último é sempre a coisa mais indesejável para essa
malta, disposta a inventar qualquer coisa para manter o país amarrado, de tal
forma que possam sorver o seu sangue sem contratempos.
Esse é, precisamente, o papel da teoria do
“centro da meta”.
Até os adeptos desse estúpido “sistema de metas
de inflação” sempre estabeleceram uma banda, uma faixa, como meta. A razão é
evidente: a economia de um país capitalista é resultado de uma série inumerável
de fatores, nem todos previsíveis. Portanto, não é possível reger essa economia
pela tabuada da Dona Lelé, ilustre professora primária de tempos idos. Exigir
que a inflação, além de sob controle, obedeça a um número exato, estabelecido
com um, dois, três anos de antecedência, é coisa de idiotas – ou de quem quer
arrasar com a economia para fornecê-la a retalho.
BANDA
Mas é exatamente isso o que significa a asinina
história de que a inflação tem que ficar no “centro da meta”. A banda da meta de
inflação vai de 2,5% até 6,5%. Mas, segundo Meirelles, só vale o “centro” dessa
banda, isto é, 4,5%. Se a inflação teima em não ficar no “centro da meta” – e
sempre vai teimar, pois não foi consultada quando estabeleceram a meta, muito
menos o “centro” da meta -, então é um Deus nos acuda, com fariseus, saduceus e
filisteus berrando que a inflação fugiu do controle, que é preciso aumentar os
juros imediatamente, que esse povo está comendo demais, que é urgente uma
paulada no consumo, etc., etc., etc. & etc.
A meta – isto é, a banda – já foi estabelecida
para manter os juros altos (afinal, para que estabelecer uma meta que só pode
ser atingida com os juros nas alturas?). Porém, Meirelles acha que se a inflação
não estiver no centro da meta, a meta não foi atingida. Portanto, o país tem que
ser coagido a marteladas (isto é, a aumentos de juros) para que a inflação se
conforme em ficar no centro de uma meta que eles estabeleceram arbitrariamente -
ou, melhor dizendo, estabeleceram somente para justificar as marteladas.
Em suma, trata-se de um grande zurro – ou, como
diria Meirelles, de uma grande idéia. Nada como a economia made in BankBoston –
para os outros, porque, nos EUA, ninguém quer ouvir falar nisso. Porém, o que
caracteriza um serviçal dos banqueiros ianques não é fazer o que eles fazem, mas
fazer o que eles mandam.
CARLOS LOPES
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