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Críticas crescem e deputados querem debater mais o PL 29
“Achar que abrir
o setor de TV paga para estrangeiros é um avanço está errado”, concluiu o
deputado Barbosa Neto (PDT)
Se anteriormente os esforços do deputado Jorge
Bittar (PT/RJ) estavam concentrados na tentativa de conseguir um “consenso” para
votar o PL 29 a toque de caixa na Comissão de Ciência e Tecnologia, suas
preocupações mudaram depois que o projeto, que trata do setor de TV paga e
audiovisual, foi submetido a um debate maior, que acabou expondo os graves
riscos que ele pode causar ao país, uma vez que abre todo o setor para o capital
estrangeiro. Agora, a aflição está no bombardeio geral que o PL 29 está
enfrentando.
O projeto passou por mais uma rodada de
discussão na última quarta-feira (28) e a impossibilidade de um acordo fez com
que o presidente da Comissão, deputado Walter Pinheiro (PT/BA), anunciasse que
pretende levar a matéria para a votação no dia 4 de junho, mesmo com tantas
contestações (ver também FNDC e CUT nesta página).
Vários parlamentares, segundo Pinheiro,
alertaram para o fato de que a mudança da lei para permitir que empresas
estrangeiras possam ser donas de distribuidoras de TV a cabo possibilita que
alguns grupos ampliem o seu domínio sobre o setor e o utilizem como trampolim
para tentar controlar também a TV aberta. “Alguém está achando que agora se está
mexendo no setor de TV por assinatura e amanhã se vai mexer na radiodifusão”,
disse Pinheiro. Atualmente, a lei do cabo impede que transnacionais detenham
mais de 49% das ações de distribuidoras de TV a cabo, enquanto a Constituição
limita a 30% a participação de estrangeiros em empresas de radiodifusão.
Defensor de que o projeto seja analisado com
mais profundidade, o deputado Barbosa Neto (PDT/PR) afirmou em entrevista ao HP
que a propriedade da distribuição da TV por assinatura é um assunto muito
delicado para ser levado no afogadilho. “Eu vou defender que ocorra uma
limitação na distribuição [de TV a cabo] como acontece nas demais empresas de
comunicação. Acho que o limite de 30% [de participação estrangeira] é razoável
para evitar que ocorra o monopólio e que se entregue o setor para os
estrangeiros”, disse o deputado.
A intensificação do debate sobre a liberação da
propriedade estrangeira nas empresas de TV por assinatura não deixa de ser uma
reviravolta na tramitação do PL 29. Até pouco tempo, as discussões estavam
concentradas na proposta de se ter ou não cotas para conteúdo nacional. Ponto
defendido por setores ligados ao audiovisual, as cotas propostas pelo deputado
Jorge Bittar - que já eram mínimas no início se levadas em consideração o que é
praticado em outros países - foram reduzidas até ficarem menores do que já é
ofertado pelas operadoras atualmente, como alertou um estudo do coletivo
Intervozes.
Isso ressaltou uma questão importante: a quem
interessa o PL 29? Olhando para a atual situação do setor de TV paga, percebe-se
que os principais beneficiados são as teles estrangeiras, uma vez que poderiam
legalizar a sua situação hegemônica, baseada em acordos clandestinos de
acionistas e em saladas acionárias que escondem quem são os verdadeiros donos de
empresas como NET e TVA. É mais do que notório que as duas empresas citadas
pertencem à Telmex e à Telefónica, que juntamente com a Sky monopolizam o setor
de distribuição de TV paga no Brasil.
Neste sentido, a alegação de que a abertura da
distribuição para empresas transnacionais geraria competição e reduziria os
custos é nula, pois elas já agem ilegalmente no país e são as principais
responsáveis pelo número reduzido de assinantes. Mas, ao contrário de propor
medidas ou ações para punir quem transgride a lei, o PL 29 quer brindar os
transgressores com a legalização e a ampliação de seu poder de monopolização.
De acordo com Barbosa Neto, “nós deputados, que
somos nacionalistas, sem ser xenófobos, precisamos proteger a produção
brasileira e também a distribuição”.
“A minha intenção é proteger o Brasil, proteger
o nosso mercado e impedir que grupos estrangeiros possuam essas liberdades que
não existem em outros países. Achar que abrir o setor é um avanço, que
precisamos nos adequar ao mercado internacional, está errado. Nós temos que
proteger a nossa indústria nacional, o conteúdo nacional, a nossa programação. A
convergência será importante, mas é um assunto delicado”, concluiu o
parlamentar.
ALESSANDRO RODRIGUES
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