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Oposição abafa vazamento de Álvaro Dias
No
momento em que as investigações apontaram para o envolvimento do senador Álvaro Dias
(PSDB-PR) e de seu assessor, André Fernandes, no vazamento do banco de dados da Casa Civil, com
informações de despesas da Presidência da República na gestão Fernando Henrique
Cardoso, a oposição tratou de transformar em pizza o final da CPI da tapioca. A
Polícia Federal, que investiga o vazamento, ouviu dois depoimentos do senador
tucano e, mesmo assim, os membros da CPI decidiram encerrar as investigações sem
convocar o senador para prestar esclarecimentos.
Por que Álvaro Dias, ao receber as informações
sigilosas das mãos de seu assessor, não procurou as autoridades, não denunciou a
divulgação irregular de dados privativos da Casa Civil? Por que, ao invés disso,
ele preferiu vazar o documento para a revista Veja? A oposição não quis
investigar esses fatos. Preferiu acabar com a CPI.
O senador mentiu para os seus pares, afirmando
da tribuna que não teve acesso aos dados sigilosos. Mas, seu próprio assessor,
apontado como receptador do material, acabou comprometendo o parlamentar tucano
em seu depoimento à CPI.
Outra questão que precisava ser investigada é a
adulteração da planilha, o aparecimento de uma coluna, onde há espaço para
observações sobre os gastos. Nela foram introduzidos comentários estranhos, do
tipo “Wiskão”, por exemplo, ao lado de uma compra de garrafas de uísque feita na
gestão de FHC.
A ministra Dilma afirmou, em entrevista coletiva
na época, que a coluna não existe na planilha da Casa Civil. Para a titular da
pasta, houve dolo por parte das pessoas envolvidas na divulgação das
informações. Segundo ela, o objetivo era atingir membros do governo,
particularmente a sua pessoa. Tanto o assessor como o próprio Álvaro Dias
ficaram com esses documentos por vários dias, antes de vazar.
Sem a presença tão assídua de figuras como
Arthur Virgílio (PSDB-AM) e José Agripino (Dem-RN), os sub-relatores Carlos
Sampaio (PSDB-SP) e Índio da Costa (Dem-RJ) encerraram seus trabalhos sem nada,
a não ser pedidos vagos de “investigação de ministros”.
O tucano Carlos Sampaio, que fez uma grande
encenação há alguns dias contra a ministra Dilma, no Ministério Público, também
terminou seus trabalhos apresentando um relatório inócuo. Nele não há uma
palavra sobre Álvaro Dias, sobre o vazamento ou sobre as mentiras do senador
tucano.
A base governista, infelizmente, não insistiu
nas investigações sobre Álvaro Dias. Apenas impediu as encenações de última hora
da oposição, como a convocação de funcionários de segundo escalão da Casa Civil.
O relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ),
disse que “a CPI foi aonde pretendeu ir. Não conseguiu [avançar], porque a
oposição criou uma versão [sobre dossiê] que não consegue se materializar em
fatos”. Exatamente por isso era necessário apurar a fundo a responsabilidade (ou
irresponsabilidade) de Álvaro Dias. Segundo Luiz Sérgio, “a oposição está
reclamando porque não encontrou o queria: elementos para fazer um escândalo.
Mais uma vez a oposição deu com os burros n’água”. O relator vai apresentar seu
parecer final na próxima semana.
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