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CUT alerta para a desnacionalização da TV por
assinatura contida no PL 29 em carta a Bittar
O secretário-geral da CUT, Quintino Severo, e a
secretária nacional de Comunicação, Rosane
Bertotti, enviaram carta ao deputado Jorge
Bittar (PT-RJ), relator do PL 29, de autoria do
deputado Paulo Bornhausen (Dem-SC), que trata do
setor de TV por assinatura e de audiovisual. Na
carta, a CUT defende uma “maior reflexão e a
democratização do debate sobre o PL 29,
envolvendo o conjunto da sociedade, pois ao
nosso ver a entrada do oligopólio estrangeiro
das telecomunicações, pelos imensos recursos e
instrumentos que já dispõe, desnacionalizaria
ainda mais o setor”. Abaixo, a íntegra da carta.
“Ilmo. Sr. Deputado Jorge Bittar,
Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e
Informática da Câmara dos Deputados
Diante das novas possibilidades abertas pela
chamada confluência tecnológica, os movimentos
sociais defendem a realização de uma Conferência
Nacional de Comunicação, nos mesmos moldes que
as já realizadas (Juventude, Cidades,
Mulheres...), a fim de garantir o mais amplo
debate e respaldar ações afirmativas do Estado
com vistas a enfrentar a crescente
desnacionalização do setor e sua histórica
apropriação por oligopólios privados.
No entender da Central Única dos Trabalhadores e
dos movimentos que lutam pela democratização da
comunicação, é preciso aproveitar os avanços
proporcionados pela nova tecnologia (TV digital,
internet...) para garantir maiores espaços para
novos atores, como são as tvs públicas e
comunitárias, assegurando canais para as
entidades populares, o que colocaria em xeque a
atual ditadura midiática que atenta contra os
interesses nacionais.
No caminho inverso, o deputado Paulo Bornhausen
(Dem-SC) apresentou no ano passado o Projeto de
Lei 29 - que trata do setor de TV por assinatura
e de audiovisual -, atropelando o debate sobre o
novo marco regulatório. Na nossa apreciação, o
caminho da democratização das comunicações
passa, necessariamente, por maior regulamentação
e controle social. No caminho inverso está a
liquidação da Lei do Cabo - que atualmente
regulamenta o setor de radiodifusão -, e a
abertura para que o cartel estrangeiro de
telecomunicações possa adquirir as operadoras de
sinal de TV, desde que elas aceitem cotas de 10%
para a produção nacional, como está disposto em
seu relatório. Mesmo as chamadas cotas, que
seriam dadas como contrapartida ao avanço das
transnacionais em um setor estratégico para o
país, no entendimento da CUT é insignificante.
Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios (PNAD), 91,3% dos mais de 53 milhões
de lares brasileiros possuem pelo menos um
aparelho receptor de televisão, o rádio está
presente em 88%. Ao mesmo tempo, apenas 10%
possuem assinatura de TV a cabo ou por satélite
e 17% têm acesso à internet, apesar de 24%
possuírem computador. Segundo a Ancine, o filme
brasileiro ocupa apenas 10% do mercado nos
cinemas, 5,5% na TV aberta e irrisórios 0,5% na
TV por assinatura. Apenas 8% dos municípios
brasileiros possuem salas de cinema,
freqüentadas por somente 12% da população. As
gravadores independentes, que produzem 70% da
música nacional, contam com insignificantes 8%
do espaço de difusão no rádio e TV, enquanto que
os oligopólios, embora gravem apenas 9% da nossa
imensa e rica diversidade musical brasileira,
controlam 90% do espaço de difusão em rádio e
TV. São dados que ilustram nossa preocupação.
A lógica histórica de uma apropriação do Estado
pelos interesses privados nos levou a uma
situação limite de concentração, verticalização
e desregulamentação que, neste momento, coloca
em risco todo o sistema das comunicações.
Diante do exposto, defendemos maior reflexão e a
democratização do debate sobre o PL-29,
envolvendo o conjunto da sociedade, pois ao
nosso ver a entrada do oligopólio estrangeiro
das telecomunicações, pelos imensos recursos e
instrumentos que já dispõe, desnacionalizaria
ainda mais o setor.
Sem mais, atenciosamente.
Quintino Severo
Rosane Bertotti”
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