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Apeoesp quer
professores unidos contra desmonte do ensino em SP
Representante dos professores no Conselho Nacional de
Educação, Maria Izabel Azevedo Noronha (Bebel), candidata da Chapa 1 à
presidência do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de
São Paulo (Apeoesp) destaca importância das eleições do dia 5
Em
entrevista ao HP, a professora Maria Izabel Azevedo Noronha,
representante dos professores do Brasil no Conselho Nacional de Educação
e candidata à presidência do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial
do Estado de São Paulo (Apeoesp), fala dos compromissos da Chapa 1 com a
construção de uma política de valorização dos professores e da escola
pública e o duro enfrentamento ao atual processo de sucateamento do
ensino paulista, promovido pelos tucanos.
Na próxima quinta-feira, 5 de junho, ocorrerão eleições para a Apeoesp.
Como candidata a presidente pela Chapa 1, qual a sua avaliação da
política educacional do governo estadual?
O
governador José Serra tem se queixado de que a Apeoesp não o deixa
aplicar os seus planos para a educação e para o funcionalismo público.
Mais do que uma verdade, este é um reconhecimento da nossa ação
cotidiana, das mobilizações que temos feito ao longo da atual gestão, em
defesa dos professores e da escola pública. Os planos de Serra dão
continuidade a 13 anos desta concepção tucana nefasta, que inclui a
retirada de direitos, a eliminação da autonomia das escolas públicas, a
superlotação de salas, o fechamento de bibliotecas, a redução do ensino
ministrado aos filhos dos trabalhadores a noções elementares de
matemática e português...
A briga é dura, de resistência ao desmonte...
A luta
da Apeoesp em conjunto com a categoria impediu que o PSDB demitisse 130
mil ACTs (Admitido em Caráter Temporário) em 2005, também evitou que o
governador Serra excluísse os ACTs do sistema previdenciário do Estado
em 2007 e tem obrigado a sucessivos recuos do governo. Por causa dessas
manifestações, o professor Carlos Ramiro, atual presidente da Apeoesp,
está sendo processado em R$ 4 milhões. O governo estadual vem investindo
pesado contra os direitos dos professores e do funcionalismo.
Criminaliza os movimentos sociais, persegue e demite lideranças
sindicais e penaliza as entidades e os dirigentes pelos movimentos de
resistência. Além de não investir na saúde pública, restringe o direito
do funcionalismo a tratamento médico ao reduzir o abono de faltas para
esta finalidade.
Como o projeto tucano atenta contra a escola pública?
Nós
estamos em luta contra um projeto educacional excludente, no qual não
existe a mínima preocupação com a educação, com investimentos na
melhoria das condições de trabalho e da qualidade do ensino público.
Antes pelo contrário. Não existe uma política salarial que entenda de
uma vez por todas que bônus ou meritocracia são as formas mais cruéis de
atrelar vencimentos à conveniência desta ou daquela gestão. Não existem
medidas que dêem suporte às escolas para que possam enfrentar os
problemas e as questões ligadas à violência. Não existe uma concepção
que considere o aluno parte integrante do processo educacional. Ao
contrário, o governo estadual focaliza suas ações em resultados
quantitativos, o que rebaixa este mesmo aluno à condição de fator
numérico.
É uma queda de braço com o governo Serra.
Da
mesma forma que seus antecessores tucanos, Serra também tem entre seus
objetivos destruir a Apeoesp, para assim aniquilar direitos. Ao
contrário do que desejavam, a Apeoesp só tem crescido e é hoje o maior
sindicato da América do Sul e um dos maiores do mundo. O que mantém
nossa entidade forte e atuante é a unidade da categoria, é a existência
de uma direção fiel às idéias e compromissos assumidos desde 1978,
quando o movimento dos professores tomou o comando do Sindicato. Há
muitas lutas pela frente, a começar pela valorização do magistério
diante da tentativa de se impor o “mérito individual” em detrimento do
trabalho e do empenho da maioria dos professores, submetidos a péssimas
condições de trabalho e baixos salários. Há uma campanha em curso, com o
apoio da mídia, na qual o governo Serra tenta desacreditar os
professores perante a sociedade, jogando sobre nossos ombros toda a
responsabilidade pelo fracasso das políticas impostas por este governo e
seus antecessores.
Quais os principais avanços conquistados pela categoria no último
período?
A Casa
do Professor, um hotel em condições acessíveis aos professores quando
precisam vir à capital paulista; ampliação do número de sedes próprias
para as subsedes; retorno da grade de 1997 para o período noturno;
extensão, pela via judicial, de direitos da ativa aos aposentados; a
obrigatoriedade do ensino de Filosofia e Sociologia; garantia de vagas
para portadores de necessidades especiais; imposição de recuos ao
governo estadual em relação a uma série de ataques aos nossos direitos.
Isso tudo é resultado de um trabalho sério, combativo e competente da
maior parte da diretoria.
E a menor parte?
São
pessoas que têm cargos importantes na estrutura do Sindicato devido à
composição proporcional e se fingem de oposição. Sobem o tom contra a
Apeoesp e tentam esconder que ocupam inúmeros cargos, nos quais poderiam
ter feito alguma coisa, mas optaram por priorizar os interesses de
partidos políticos, como o PSTU, tentando minar o esforço coletivo. Vou
exemplificar: José Geraldo Corrêa Júnior, o Geraldinho, candidato à
presidência pela Chapa 2, é o atual secretário adjunto de Políticas
Sociais; assim como pertencem à Chapa 2 o atual secretário de
Comunicação; o vice-presidente; o secretário de Assuntos Educacionais e
Culturais. É uma situação esdrúxula, inusitada, pois além desses quatro,
mais 40 (quarenta!) nomes fazem parte da atual diretoria. Os que têm
cargos na Executiva da Apeoesp recebem ajuda de custo, têm secretárias,
celulares, carros e assessores. Infelizmente, desperdiçaram o tempo e o
dinheiro da categoria com seu imobilismo. Entretanto, quando há
vitórias, eles tentam apropriar-se, como se fossem só deles,
comportando-se como verdadeiros usurpadores. Mas, quando há
dificuldades, elas são colocadas na conta dos outros.
Quais as principais propostas da Chapa 1 para o próximo período?
Temos
claro que o que está em jogo neste momento é a existência da escola
pública, sua capacidade de contribuir para o aprimoramento, a
qualificação e o pleno desenvolvimento do potencial crítico e criativo
da juventude. Isso se faz, obviamente, com recursos, com investimentos,
com valorização do professor. Por isso, além de continuarmos mobilizados
em defesa deste ideal, vamos nos empenhar ainda mais para garantir
melhorias nas condições de vida e trabalho da categoria. Entre outras
bandeiras, levantamos a redução da jornada de trabalho, sem redução
salarial; a conquista de um novo plano de carreira, regulamentando a
progressão profissional do professor, em sala de aula e a matriz
curricular com seis aulas no diurno e cinco no noturno; com duração de
50 minutos no diurno e 45 no noturno; fortalecer a luta pela
regulamentação da Convenção 151 da OIT, que estabelece acordo coletivo
no setor público; respeito à data base; reposição das perdas salariais
pelo piso do Dieese; extensão do ALE (Adicional de Local de Exercício) a
todas as escolas e política salarial única para todo o magistério da
ativa e aposentados.
LEONARDO SEVERO |