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Vagner Bacharel, morte aos
36 anos
ARIOVALDO IZAC *
Torcedor de
treino é detalhista, pra não dizer xereta. Um deles sussurrou maldosamente para
um amigo, há mais de duas décadas, nos tempos do zagueiro Vágner Bacharel (já
falecido) no Palmeiras:
“Dê uma olhada
nas pernas arqueadas do Vágner. Se ficasse na barreira de futsal a bolinha
passaria no “vão” delas e seria gol do adversário”.
As pernas
arqueadas em nada atrapalhavam o rendimento do jogador de pouco mais de 1,80m de
altura nas passagens por Madureira (RJ), Joinville (SC), Inter (RS), Palmeiras,
Botafogo (RJ), Guarani, Fluminense, Vila Nova (GO) e Paraná, onde morreu no dia
20 de abril de 1990.
ESTUPIDEZ
Por sinal,
morte estúpida teve esse carioca Vágner de Araújo Antunes, aos 36 anos de idade.
Na disputa de bola pelo alto com Sérgio Ponvoni, do Campo Mourão (PR), ele bateu
com a coluna cervical no chão e, desacordado, foi levado a um hospital
paranaense para atendimento.
Aparentemente
nada de mais grave, tanto que recebeu alta hospitalar e voltou para casa, a fim
de continuar o tratamento. Só que as dores de cabeça foram intensificando e,
levado novamente ao hospital, não resistiu e morreu.
Bacharel é
mais um daqueles casos de jogadores mortos que raramente são lembrados, exceto
em casos de estatística de falecimentos de atletas no exercício da profissão.
Sua aparição na bola foi no Madureira do Rio de Janeiro e depois se deslanchou
em grandes clubes, com ênfase na passagem pelo Palmeiras, quando formou dupla de
zaga com Luiz Pereira. Ambos jogavam de cabeça erguida, tinham um bom passe,
jamais se apavoravam na saída de bola e mostravam espírito de liderança.
Claro que
Luizão era mais clássico, desarmava muito mais sem recorrer às faltas e tinha
velocidade para arrancar ao ataque com bola dominada, nos tempos que cobrava-se
de zagueiros apenas eficiência na marcação. Luizão era diferente até na Seleção
Brasileira, considerado um dos melhores da posição na Copa do Mundo de 1974, na
Alemanha. Bacharel ficou no Palmeiras de 1983 a 87, com histórico de 22 gols em
260 jogos. Tinha o hábito de avançar à área adversária em lances de bola parada,
nos escanteios e cobranças de falta. Em seguida se transferiu para o Botafogo do
Rio.
Embora a sua
principal virtude fosse o jogo aéreo, esse bigodudo tinha malícia para evitar
dribles manjados, e pecava basicamente pela lentidão. Quando enfrentava
atacantes rápidos passava apertado.
SARRISTA
O zagueiro
era sarrista e bem humorado. No ônibus que conduzia delegações da concentração
ao campo puxava o samba com o inseparável pandeiro e contagiava o ambiente. A
rigor, o apelido Bacharel justificava-se pelo fato de chamar companheiros,
indistintamente, também de Bacharel. Era uma liderança positiva que ajudava na
preservação do bom ambiente do grupo. Sabia discernir bem a hora da cervejinha
com os amigos, principalmente após jogos, do trabalho árduo do dia-a-dia.
O futebol
paranaense já havia sido enlutado no dia 18 de setembro de 1978 com a morte de
Valtencir, aos 32 anos de idade, então jogador do Colorado, clube que
posteriormente se fundiu com o Pinheiros para a criação do Paraná. O
lateral-esquerdo sofreu lesão na coluna cervical e no cérebro após choque com o
jogador Nivaldo, do Maringá, e morreu no local, no Estádio Willie Davis, em
Maringá.
* É
jornalista em Campinas e colaborador do HP |