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Líbano elege governo de unidade nacional e isola divisionismo
patrocinado por Israel
O general Michel Suleiman foi eleito presidente do Líbano, obtendo 118
dos 127 votos do parlamento. A quase unanimidade obtida por Suleiman,
que havia chefiado as forças armadas do Líbano até as vésperas de sua
indicação, resultou de um acordo de unidade nacional firmado em Doha,
capital do Qatar, com o apoio da Liga Árabe.
A eleição põe fim a uma crise de 18 meses, durante a qual a eleição foi
adiada 19 vezes e o parlamento acabou entrando em recesso.
O ex-presidente, Emile Lahoud, havia renunciado no momento em que
cresceu a oposição no país à instalação de um “tribunal internacional”
que se encarregaria de “encontrar” os culpados pela morte do ex-primeiro-ministro
Rafik Hariri, sob os auspícios de um comitê da ONU infiltrado pelo
contumaz agente a favor das provocações da CIA, Detlev Mehlis.
Mehlis havia propalado um relatório que serviria para instruir o
‘tribunal’ com ‘testemunhas’, cuja fajutice foi comprovada em seguida. O
relatório de Mehils era todo voltado para incriminar o governo sírio na
morte do premiê. Ele veio abaixo quando a principal testemunha, Husam
Taher, denunciou na TV que suas declarações foram extraídas com base em
“ameaças e pressões. “Tudo que eu disse ao comitê de investigação da ONU
é mentiroso e sem base”, acrescentou Taher.
Mesmo com a desmoralização e a renúncia de Mehlis, os EUA e seus
capachos no Líbano seguiram tentando implantar e legitimar a ‘corte’.
Hezbollah e Amal, principais partidos que resistiram e impediram as
tropas israelenses de invadir o sul do Líbano, durante o criminoso
bombardeio de dezenas de dias e milhares de civis assassinados, abriram
mão de suas pastas ministeriais.
Após a renúncia, cresceu a pressão norte-americana – atuando em favor do
governo de ocupação israelense - pelo desarmamento da Resistência. O
primeiro-ministro Fuad Siniora se manteve governando com os
representantes dos setores que se submetem aos interesses dos EUA no
país, e decretou o desligamento das linhas de telecomunicação do
Hezbollah, aprofundando a crise. Os mesmos militantes que haviam
resistido à invasão, ocuparam parte de Beirute e coube ao general
Suleiman mediar o entendimento, fazer Fuad recuar do decreto e o
Hezbollah se retirar da capital.
O acordo de unidade nacional foi selado com a participação da Liga Árabe
e saudado nas ruas das cidades e aldeias do país.
Dividir e vulnerabilizar o Líbano era o sonho de Israel, que foi
derrotado pela Resistência e teve sua pá de cal no acordo agora firmado.
Os agentes da dominação na região queriam abrir passo para a divisão e a
gestação de condições adversas ao povo libanês e árabe na região, de
forma a atravessar o Líbano (através do Vale do Bekaa) e ameaçar os
flancos da fronteira da Síria.
É bom lembrar que com a algaravia em torno da morte de Hariri (com
cheiro de Mossad e CIA) haviam conseguido forçar a Síria a retirar suas
tropas do Líbano. Eram tropas convidadas pelo governo libanês para
conter os que queriam dividir o país. Sírios e libaneses estavam
irmanados em garantir a defesa contra invasões por parte de Israel.
Bastou a retirada dos Sírios e começou o bombardeio israelense, cujo
desfecho foi a principal derrota de seu exército de agressão desde que
foi fundado.
NATHANIEL
BRAIA |