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Fotos em “laptop” das Farc foram plantadas
Eva Golinger*
Uma série de fotos publicadas e apresentadas pela mídia colombiana como
imagens encontradas nos “laptops” de Raúl Reyes, supostamente capturados
pelo governo colombiano durante o bombardeio ao acampamento das FARC no
Equador, no passado 1º de março, na verdade foi obtida por agentes da
inteligência colombiana durante um evento em Quito, Equador, segundo revela
em artigo o jornalista equatoriano Daniel Denvir (http://nacla.org/node/4699).
As fotos foram entregues por uma fonte da inteligência colombiana ao jornal
El Tiempo de Bogotá, na segunda-feira, 3 de março, só dois dias depois da
invasão ao território equatoriano e do massacre no acampamento das FARC.
Daniel Denvir destaca que a revelação da verdadeira fonte das fotos cria
“dúvidas dignas de crédito” sobre a informação que está em mãos do governo
colombiano, e que tem sido utilizada para acusar os governos do Equador e
Venezuela de haver financiado e armado as FARC, entre outras coisas. O fato
de que as fotos não vieram dos “laptops” das FARC - apesar das declarações
do governo colombiano - e que realmente foram tomadas pela inteligência
colombiana, significa que outras “evidências” também poderiam ter vindo de
outras fontes, incluindo fontes falsas ou “inventadas”. Além do que, esta
revelação confirma que agentes da inteligência colombiana estão ativamente
operando em território equatoriano.
As fotos já foram removidas da página web do El Tiempo, porém, foram - e
continuam sendo - utilizadas para conduzir uma campanha midiática contra os
governos da Venezuela e Equador. As fotos foram tiradas na Casa de Cultura
de Quito durante a conferência internacional do Comitê da Coordenadora
Continental Bolivariana (CCB), uma semana antes do ataque contra o
acampamento das FARC. As pessoas fotografadas incluíam os representantes
vascos Iñak Bil, do partido Batasuna, e do Askapena, Walter Wendelin; além
de Carlos Casanueva, membro do Partido Comunista do Chile; Lucía Morett,
estudante mexicana que foi ferida durante o bombardeio do acampamento; Oscar
Figuera, Secretário Geral do Partido Comunista da Venezuela; Manuel Olate da
Juventude Comunista Chilena; e outras seis pessoas não identificadas.
O
jornalista Daniel Denvir revela que viajou até a redação do El Tiempo, em
Bogotá, para averiguar sobre a fonte real das fotos, devido a sua forma
suspeita (as fotos pareciam tiradas por uma agência de inteligência, e não
pelas FARC). Os jornalistas do El Tiempo tinham confirmado que as fotos
vieram dos “laptops” das FARC, mas depois, o editor do jornal, John Torres,
admitiu a Denvir que as fotos não foram obtidas dos computadores “de Raúl
Reyes”, mas entregues por uma fonte dos corpos de segurança de Estado da
Colômbia.
*Eva Golinger é advogada e investigadora venezuelana-estadunidense,
especializada em leis de imigração e direitos humanos. Em 2004, obteve
documentos secretos da CIA, do Departamento de Estado norte-americano e de
outras entidades governamentais, desclassificados sob a Lei de Liberdade de
Informação, que demonstravam que em abril de 2002 o governo de George W.
Bush foi cúmplice do golpe de Estado contra o presidente venezuelano Hugo
Chávez. Esses documentos foram publicados em seu livro “O Código Chávez”. |