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EUA: 2,2
milhões de casas foram tomadas pelos bancos em 2 anos
A revista
inglesa “The Economist” afirma que em 2007 1,5 milhão perderam suas casas,
50% a mais que em 2006. “Este ano e no próximo, cerca de 2,5 milhões
deveriam perder suas casas”, prevê Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s
Economy.com
Nos últimos dois anos, de acordo com os dados da revista inglesa “The
Economist”, mais de 2,2 milhões de casas foram desapropriadas nos EUA pelos
bancos, corretoras, caixas hipotecárias e seguradoras em decorrência da
assim chamada crise do “subprime”. “1,5 milhão em 2007” – “50% a mais que no
ano anterior”, destacou a revista. Quadro que poderá se agravar ainda mais:
“com 9 milhões de pessoas devendo mais do que suas casas valem, esse número
provavelmente irá disparar”. Esse avultado número contrasta com as
declarações do Secretário do Tesouro de Bush, Henry Paulson, de que “estamos
mais perto do fim [da crise] do que do começo]”.
Mas entre o “começo da crise” e o final há uma
avalanche de placas de “vende-se” e de “aluga-se”, pelo país inteiro, entre
outras coisas. Assim, de acordo com o economista e professor da Universidade
de Yale, Robert Shiller, apenas no mês de abril foram pedidas as execuções
de mais 243.353 hipotecas. Em declarações ao “New York Times”, o
economista-chefe da Moody’s.Eco-nomy.com, Mark Zandi, acrescentou que entre
“este ano e o próximo, cerca de 2,5 milhões iriam perder suas casas”, entre
um total de 3,9 milhões de proprietários de casas executados judicialmente.
Trata-se de um gigantesco processo de
expropriação, por um punhado de especuladores, da propriedade conseguida
pelo trabalho de uma vida toda, em geral. Boa parte desses milhões de
pessoas foram induzidas a fazerem “refi-nanciamentos” da casa que tinham,
dando a casa como garantia, o que assegurava aos bancos e corretoras lucros
enormes, comissões extras e mais bônus para seus executivos. Relativamente
pouco destinou-se, efetivamente, a tornar alguém, pela primeira vez, dono da
casa própria. Com o arrocho a que a classe média e os trabalhadores vêm
sendo submetidos desde os anos 70 nos EUA, esses refinan-ciamentos serviam
para tapar buracos no orçamento, pagar tratamento médico ou a faculdade, ou
ainda propiciar um consumo que não estava sustentado na renda auferida, numa
situação em que a poupança familiar tinha sido zerada, o país está pendurado
no cartão de crédito e boa parte dos novos empregos criados são de baixos
salários.
Empréstimos em cima de empréstimos; quando
aqueles que tinham condições mínimas de fazer hipoteca se esgotaram, os
especuladores cuidaram de rebaixar todo tipo de exigência, enquanto os
grandes bancos, as corretoras e as “agências de classificação” transformavam
papéis sem cobertura em títulos fake “triplo-A”. Até atingir o primor do “subprime”:
o empréstimo “Ninja”: (No Job No Income No Adress – sem emprego, sem renda e
sem endereço). A essa altura, já não havia mais como adiar o estouro da
bolha das hipotecas.
Para atenuar a crise, os democratas vêm buscando
aprovar no Congresso leis para socorrer os inadimplentes, para que não
percam suas casas, contra Bush, que liberou centenas de bilhões de dólares
para o resgate dos bancos, mas considera inconveniente ajudar os que estão
sendo executados pelos banqueiros que montaram as fraudes e a bolha das
hipotecas. Para a população no sufoco, apenas US$ 300 milhões foram
realocados, desde que haja abatimento no principal da dívida, e sem dinheiro
novo do governo.
DEBATE
O paladino dos magnatas e especuladores, “The
Economist”, resolveu ajudar no “debate”. Sua sugestão, acelerar a expulsão
dos mais pobres. “Dada a escala de prováveis declínios dos preços de casas e
a lassidão nos padrões de empréstimos durante a bolha, muitos americanos
estão em casas que eles não têm como bancar”, diagnosticou. E, ainda mais
rápido: “nesses casos, a resposta certa é tornar a desapropriação mais
rápida e menos danosa a todo mundo mais, de forma que as casas possam ser
rapidamente compradas por pessoas que possam pagar por elas”. É. Para
agilizar, a “Economist” poderia, inclusive, fornecer aos bancos os
telefones dessas “pessoas que possam pagar por elas”, e a data do fim da
recessão.
ANTONIO PIMENTA
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