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Centrais ocupam as ruas do
país por redução da jornada para 40 horas
As
seis Centrais, CUT, CGTB, Força Sindical, Nova Central, CTB e UGT pararam
trabalhadores de 21 estados do país pela recuperação das perdas salariais e pela
jornada de 40 horas
Convocados pela CUT, Força Sindical, CGTB, UGT, CTB e Nova
Central, centenas de milhares de trabalhadores de vinte e um estados e das mais
diversas categorias saíram às ruas nesta quarta-feira (28) para lutar pela
redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. As principais
mobilizações se concentraram em São Paulo, onde os trabalhadores ocuparam
lugares ou realizaram manifestações em mais de 80 locais na capital e interior.
Além da redução para 40 horas semanais, os trabalhadores
reivindicam ainda a ratificação das Convenções 151 - que possibilita a
negociação coletiva no setor público - e 158 - que coíbe a demissão imotivada -
da Organização Internacional do Trabalho.
Berço de muitas mobilizações, o ABC paulista abriu a série
de assembléias, paralisações e panfletagens nas portarias da Volkswagen, Scania,
Ford e Mercedes-Benz. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, filiado à CUT, cerca
de 25 mil trabalhadores participaram das atividades. Na Zona Leste da capital,
outros quatro mil trabalhadores retardaram a sua entrada no trabalho para
participar de um ato convocado pela Força. A Federação dos Metalúrgicos da Força
anunciou ainda que fez atos em 32 cidades. Em São Carlos e Itatiba, convocados
pela CGTB, os metalúrgicos realizaram assembléias nas portas de fábricas.
Foi em São Paulo também que os presidentes nacionais das
centrais sindicais concentraram suas participações. Após comandarem mobilizações
distintas no inicio da manhã, Arthur Henrique (CUT), Paulinho (Força), Antônio
Neto (CGTB), Ricardo Patah (UGT) e Nivaldo Santana, representando Wagner Gomes
da (CTB), juntamente com dezenas de presidentes de sindicatos, se concentraram
na Praça Ramos de Azevedo, de onde seguiram em passeata para a Rua 24 de Maio,
local em que ocorreu um ato público em frente a multinacional C&A, que é
apontada pelos sindicalistas como uma das empresas que mais sacrifica os
comerciários com uma carga horária de trabalho excessiva.
Não só nas ruas se deram as manifestações de apoio à
redução da jornada, medida que geraria mais de dois milhões de empregos em São
Paulo e apontada pelos sindicalistas como um mecanismo de distribuição de renda
e divisão dos altos lucros angariados pelas empresas e uma forma de possibilitar
melhor qualidade de vida para os trabalhadores. Muitos, como os bancários,
aderiram à convocação dos sindicatos para retardarem em uma hora o inicio dos
trabalhos e fizeram paralisações em 20 pontos do centro.
Uma manifestação especial foi realizada na Ponte Octavio
Frias, na Zona Sul, que fica ao lado da Rede Globo e no final da Avenida
Jornalista Roberto Marinho. Classificada pelos sindicalistas como o novo símbolo
da oligarquia, a ponte foi ocupada por mais de 5 mil trabalhadores metalúrgicos,
da Construção Civil e de outras categorias, que não só carregavam a bandeira da
redução da jornada como também prestaram um gesto de solidariedade ao presidente
da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, e um ato de repúdio às
constantes campanhas da mídia que buscam difamar as lideranças sindicais. O
mesmo ocorreu na paralisação de 2 horas realizada pelos gráficos na editora
Abril, que publica a revista “Veja”, e nas diversas manifestações de apoio
proferidas pelos presidentes das demais centrais.
Os trabalhadores rodoviários fizeram também um ato que
fechou o terminal de ônibus no Parque Dom Pedro por uma hora e encerrou o dia de
atividades em São Paulo. Panfletagens, passeatas e assembléias também foram
realizadas em cidades do interior, como Sorocaba, Taubaté, Itu, Pindamonhangaba,
Ribeirão Preto, Santos, Marília, Campinas, Guarulhos, Itapira, Osasco, Taubaté,
Itu, Pindamonhangaba, Araraquara e Presidente Prudente.
O dia nacional de lutas terá seqüência com um ato a ser
realizado na próxima terça-feira (3) no Plenário da Câmara dos Deputados, quando
os dirigentes sindicais debaterão com os parlamentares e farão a entrega formal
do abaixo-assinado, que deve reunir mais de 1 milhão de assinaturas em apoio ao
projeto de redução de jornada que tramita no Congresso.
ALESSANDRO RODRIGUES |