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Lula denuncia que a oposição sabota os programas sociais
“Um nordestino
como eu não se curva à truculência”
“Tem um grupo de políticos muito incomodados por
que um igual a vocês, saído do sertão nordestino, lá do agreste de Garanhuns,
torneiro mecânico, chega à Presidência da República, e consegue fazer aquilo que
eles teimaram em não fazer a vida inteira, que é cuidar do povo mais pobre”,
disse o presidente Lula, na última quinta-feira, ao povo de Quixadá, no Ceará.
“Não estava escrito na sociologia brasileira que um peão metalúrgico poderia
chegar à Presidência. Cheguei de teimoso, e vocês também. Perdi a primeira,
perdi a segunda, para poder ganhar na quarta. Cada derrota servia de lição para
mim”.
Em três pronunciamentos durante sua visita ao
Nordeste – em Quixadá, Fortaleza e Aracaju – o presidente Lula fulminou o
farisaísmo, o elitismo, a postura de senhores de escravos que perderam os
escravos e o poder que caracteriza a atual oposição.
“Os nossos adversários, um chamava-se PFL, agora
se chamam Democratas, o outro vocês já sabem quem é, derrotaram a CPMF, que era
o imposto que a classe média e os ricos pagavam. Eles tiraram R$ 40 bilhões do
governo federal. Um dos programas que eu tinha mais vontade de fazer era levar
médicos e dentistas para tratar das nossas crianças nas escolas públicas,
enquanto elas são pequenas. E eles ficaram todos felizes, achando que eu não
iria mais fazer este programa. ‘Matamos o Lula, matamos o PAC da Saúde’. Eles
não sabem que nordestino que não morre de fome até os cinco anos de idade não se
curva diante da truculência. Pois eu quero comunicar que a partir de abril nós
vamos começar a implantar médico e dentista nas escolas públicas brasileiras
para cuidar das crianças.
“O que a oposição vai fazer? Vai procurar
picuinhas, coisas pequenas, coisas menores, para tentar conturbar o ambiente de
tranqüilidade que nós construímos. Nós queremos dar às pessoas a tranqüilidade
de aprender uma profissão para se transformar em homens e mulheres
independentes, ter um emprego que ganhe um salário que lhes permitam viver
decentemente. É isso que uma parte da oposição não perdoa em nós.
“Agora mesmo, entraram na Justiça porque o Tarso
está fazendo um programa no Pronasci, que é uma complementação salarial de até
R$ 1.400,00 para que os nossos policiais possam se formar. Eles dizem que a
gente não pode fazer porque é eleitoreiro. Agora, é o Territórios da Cidadania,
um programa que envolve 19 ministérios, com 19 políticas ministeriais numa mesma
região ao mesmo tempo. Eles entraram na Justiça dizendo que é eleitoral, não
posso fazer. Não posso ser candidato, não tem eleição para presidente agora. Se
a teoria deles valer, nós paramos de governar o país, porque, se não posso
governar em ano de eleição presidencial, e se não posso governar em ano de
eleição municipal, e tem uma a cada dois anos, quando é que nós vamos governar?
“Todo mundo sabe que sou filho de mãe que morreu
analfabeta. Eu sei o que é um jovem com profissão sair à rua procurando emprego
e sei o que é um jovem sem profissão sair procurando emprego. Sou o presidente
de todos, mas eu tenho origem, tenho berço, sei de que lado estou e sei quem
tenho de priorizar. Sei de onde vim e sei para onde vou voltar quando deixar a
Presidência. Não pensem que, porque vocês me vêem todo dia de terno e gravata,
eu esqueci a minha origem e esqueci quem são meus companheiros. Eu lembro
perfeitamente bem quem está comigo nas horas boas e nas horas ruins. Não tenho
vergonha de dizer: sou nordestino, tenho sangue e alma de nordestino e acho que
o Nordeste não pode continuar sendo tratado com uma região de homens e mulheres
de segunda classe. O Brasil precisa ser mais igual, mais justo, mais
distributivo entre todas as camadas sociais. O Estado não vai deixar de exercer
o seu papel fundamental, que é ser um Estado a serviço de todos. Mas entre esses
todos, nós temos que olhar a parte mais necessitada do nosso país.
“Em 2003, o Ceará tomava emprestado do Pronaf
(Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar) apenas R$ 28 bilhões. Este
ano, foram R$ 349 bilhões. Multiplicaram-se por quase 15 os recursos que os
trabalhadores aprenderam a tomar. Foi porque o governo tomou uma decisão. Em
outubro de 2003, liguei para o presidente do Banco do Brasil e perguntei:
‘recebi uma denúncia da CUT de que a gente não está conseguindo fazer os
contratos do Pronaf. O que está acontecendo?’. Ele disse: ‘o sistema caiu’. Eu
falei: ‘então, levante esse condenado desse sistema, porque nós precisamos
voltar a cuidar do povo pobre’. Era uma orientação superior: é melhor atender um
rico, com charuto na boca, do que atender um pobre, de sandália havaiana,
pedindo 500 reais emprestados para plantar um pé de mandioca ou para comprar
alguma coisa para salvar os seus animais.
“Os Territórios da Cidadania são para
possibilitar àqueles que não tinham vez, àqueles que não tinham voz, começarem a
ter vez, começarem a falar, começarem a gritar e começarem a reivindicar,
porque, se a gente não fica esperto, os mesmos de sempre continuam a ter acesso
ao dinheiro do governo, que era para atender os caciques da região, e nós agora
queremos atender os índios da região, queremos atender os pobres da região. Nós
queremos continuar atendendo o fazendeiro, mas queremos lembrar que entre o
Banco e o fazendeiro tem milhares de homens e mulheres que têm filhos e que
precisam colocar seus filhos nas escolas, que precisam ter acesso à saúde, que
precisam ter acesso a lazer e, sobretudo, que precisam ter acesso a um crédito
para financiar a sua produção.
“Eu fui ao Rio, no Teatro Municipal,
entregar as medalhas de ouro para os 300 alunos que ganharam a Olimpíada da
Matemática. A Olimpíada, em 2004, só tinha 270 mil alunos, quase todos da escola
privada. Fiz um desafio: vamos levar a Olimpíada da Matemática para as escolas
públicas. Aí, apareceram alguns teóricos de sempre: ‘não, não vai ter interesse,
os pobres não vão querer participar, é bobagem fazer’. Fizemos a primeira, em
2005. Inscreveram-se 11 milhões de adolescentes e crianças. O aluno que ficou em
primeiro lugar era de Brasília, portador de deficiência visual, com problemas de
audição e paraplégico. Esse moleque, com 16 anos, foi o melhor aluno do Brasil
na Olimpíada de 2005. Em 2006, a Justiça Eleitoral criou um caso tremendo e não
permitiu que o Ministério da Educação colocasse sequer um cartaz nas escolas,
pedindo para as crianças se inscreverem, porque dizia que seria campanha
eleitoral. Inscrevemos sem campanha de rádio, sem televisão e sem nenhum papel
nas escolas. Sabe quantas pessoas se inscreveram? Quatorze milhões e meio de
estudantes brasileiros. Na última, de 2007, inscreveram-se 17 milhões e 300 mil
crianças e adolescentes. Nós tínhamos 270 mil, passamos para 17 milhões e 300
mil. Aqui de Várzea Alegre, um estudante de 19 anos, chamado Ricardo, de cadeira
de rodas, que tem uma doença muito grave que vai corroendo os tecidos... O pai
desse menino o levava para a escola em um carrinho de mão, porque a estrada era
de cascalho e não permitia que a cadeira de rodas transitasse bem. Esse menino,
com todas essas deficiências, uma lição de vida para todos nós, é bicampeão da
Olimpíada aqui no Estado do Ceará. Nós, agora, começamos a Olimpíada de
Português. Depois eu quero fazer de Física, de Química. O que não vai faltar é
Olimpíada.
FMI
“É preciso acabar com esse preconceito contra os
países da América Latina. Nós temos orgulho de ser da América do Sul, nós temos
orgulho de ser da América Latina, nós temos orgulho de ser do Sul do mundo. Nós
não queremos ser subalternos de ninguém. Não somos melhores, mas não somos
piores do que ninguém. No dia em que nós tomamos a decisão de chamar o FMI e
dizer: peguem os 16 bilhões de vocês e levem embora, o FMI não queria. Por quê?
Porque era importante para eles nós estarmos dependentes. Um cidadão dependente
não anda de cabeça erguida, um cidadão dependente não anda efetivamente com
tranqüilidade, porque tem sempre alguém dando palpite. Eu resolvi criar as
condições para as pessoas pararem de dar palpite na nossa vida.
SENHA
“De repente, alguém fala: “Olha, se entrarem na
Justiça, eu vou analisar”. Na verdade, ele deu a senha para o PFL e para o PSDB.
Seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele, o
Legislativo apenas nas coisas dele e o Executivo apenas nas coisas dele... O
Judiciário interpreta as leis, não faz leis. [Deputado] Jackson Barreto, você
tem a obrigação de fazer um discurso na tribuna da Câmara, perguntando a quem
falou essa sandice se ele quer ser Ministro da Suprema Corte ou se quer ser
político. Se ele quiser ser político, renuncie e se candidate a um cargo para
falar as bobagens que quiser, mas não fique se metendo na política do Poder
Executivo. Se cada um ficar no seu galho, o Brasil tem chance de ir em frente.
Se cada um quiser dar palpite na vida do outro, a gente pode conturbar a
tranqüilidade que a sociedade brasileira espera de nós”.
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