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Laudo sobre roubo dos dados da Petrobrás não responde a pontos obscuros e
deixa muitas dúvidas
O ministro da Justiça, Tarso Genro, declarou que
o roubo de discos rígidos de um contêiner da americana Halliburton, em
Macaé, contendo dados estratégicos da Petrobrás sobre importantes
descobertas de gás natural não tem relação com espionagem industrial. “A
conclusão do inquérito aponta para delinqüentes comuns visando se apropriar
de bens. Eles não sabiam das informações que detinham”, disse na
segunda-feira, ao anunciar a conclusão do inquérito da Polícia Federal (PF).
A Halliburton era a principal suspeita do roubo
dos dados da Petrobrás. A “Veja” do último fim de semana comemorou o
relatório da PF com tal desfecho, que alivia a Halliburton. A empresa
americana foi dirigida pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney,
que a entupiu de contratos no Iraque depois da ocupação.
Essa conclusão, no entanto, pode se manter de pé
por pouco tempo, porque deixa estranhas concidências e pontos obscuros sem
resposta. Os contêineres da Petrobrás fazem os mesmos roteiros e as mesmas
paradas, porém os arrombamentos dos supostos ladrões comuns aconteceram onde
havia equipamento da estatal. Além disso, o roubo foi certeiro nos
equipamentos que continham informações valiosas sobre novas pesquisas em
área com perspectivas imensas.
No curso das investigações, a Polícia Federal,
em parceria com a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), descobriu, por
exemplo, que o segredo do cadeado que mantinha o contêiner fechado era o
mesmo usado nos cadeados que protegiam outros 40 contêineres-escritórios nas
bacias de Santos, Campos e Macaé. A medida teria sido adotada pela
Halliburton, a pretexto de evitar que os contêineres ficassem fechados, caso
alguém se esquecesse de levar a chave do cadeado.
“Havia no contêiner material de escritório e
laptops, não levaram todo o material, o que nos leva a descartar que foi um
roubo comum. Quem procura HD não está praticando um roubo comum, havia um
interesse específico de um determinado assunto”, disse, durante as
investigações, o superintendente da PF no Rio de Janeiro, Valdevino Jacinto
Caetano.
A alegação de que os ladrões praticaram erros
primários, que espiões profissionais não cometeriam, também é fraca. É de se
esperar que em caso de espionagem fizessem tudo para induzir a pensar que
foi crime comum, inclusive, como freqüentemente fazem, contratando marginais
para realizar o serviço.
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