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Nota da União Gaúcha de Estudantes denuncia sucateamento da Educação:
Tucanos apelidam evasão de ‘redução da natalidade’
Neste ano, com a reestruturação da rede, a Secretaria Estadual de Educação
do Rio Grande do Sul remanejou 7,5 mil turmas e fechou 2,8 mil escolas em
todo o Estado. Só o município de Rio Grande perdeu neste ano quatro turmas
noturnas de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental regular na escola estadual
Nossa Senhora Medianeira e as turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA)
da escola estadual Adelaide Alvim. A União Gaúcha de Estudantes (UGES)
denunciou, em nota, a tentativa do governo do Estado de debitar na conta da
“redução de natalidade” a grave evasão escolar causada pelas políticas
educacionais copiadas do Estado de São Paulo, que deixou salas de aula
vazias para o fechamento de turmas e a “redução de gastos”. A seguir, os
principais trechos da nota:
“Preocupantes manchetes relacionadas à Educação têm tomado os jornais
do Rio Grande do Sul nos últimos dias. Notícias de fechamentos de escolas,
entre outras, fazem pairar uma enorme penumbra sobre o futuro de milhares de
estudantes. Sobre este grave momento a União Gaúcha dos Estudantes manifesta:
“A dita ociosidade das salas de aula, que culmina no processo de
encolhimento do sistema educacional e fechamento de escolas, é conseqüência
de um grave processo de evasão escolar, há muito existente, em nada
combatido, e agora aprofundado no Estado do Rio Grande do Sul. Não se trata,
como quer apontar a SEC, de uma natural redução no número de estudantes
matriculados ano a ano, ocasionado pela diminuição das taxas de natalidade e
a conseqüente redução do número de jovens em idade escolar. Se trata, sim,
do abandono cada vez maior da escola por estes estudantes, como apontam
recentes estudos realizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais (Inep), que mostram o Rio Grande do Sul como o Estado onde
crianças e jovens têm menos anos de freqüência às salas de aula em
comparação com outros estados do Brasil. A conclusão é clara: se largam os
estudos antes do ideal, isso só pode se chamar EVASÃO. É esse mau que
precisa ser combatido, através de uma política eficiente que mantenha os
estudantes nos bancos escolares. Para tanto, é necessários que a evasão
deixe de ser vista como um processo natural – o que não é – e passe a ser
encarada como resultado do sucateamento das escolas e das dificuldades da
juventude em freqüentar as aulas com segurança e aprender com uma escola
estruturada e qualificada. Se um estudante freqüenta a aula e não consegue
aprender, isso não é problema dele. É problema de todos nós, e o Estado está
aí para ajudá-lo a superar estas dificuldades. Se um estudante deixa a
escola, o problema não está nele, e sim na qualidade da educação. Quem perde
é o futuro do Rio Grande do Sul, que não estará preparado para a
competitividade e o desenvolvimento.
“Logo, se o problema central é a evasão escolar e a falta de
políticas públicas para combatê-la, o fechamento de escolas próximo a
residências dos estudantes – em geral pobres – é mais um obstáculo que a
Secretaria da Educação coloca no caminho do estudante gaúcho, e que tende a
ampliar essa chaga e aumentar, ainda mais, a ociosidade das salas de aula,
pois alargam as dificuldades e as distâncias para os estudantes chegarem até
a escola. Fechamento de escolas próximas e lotação das salas de aula – que
dificultam o aprendizado – de escolas longínquas provocarão mais evasão.
Cabe à SEC, enquanto Estado e provedora de políticas inclusivas de educação,
se adequar às demandas, e não adequar a demanda à oferta. Se há uma criança
ou jovem em idade escolar no mais longínquo rincão do Rio Grande, a este
deve ser ofertada uma escola acessível e de qualidade.
“Evasão. Logo no início do ano letivo de 2007, corte nos repasses
financeiros às escolas. Unificação de turmas e lotação de salas de aula.
Retirada de profissionais que cumprem funções fundamentais na supervisão,
orientação educacional e bibliotecas escolares. Fechamento de escolas.
Repasse da demanda de EJA para a rede privada. Mais evasão. Mais fechamento
de escolas. Desrespeito à sociedade e ao Conselho Estadual de Educação.
Emissão de portarias que contrariam o Conselho. Adoção de diretrizes do
Banco Mundial que tratam a Educação como algo oneroso ao Estado e não como
investimento. Falta de políticas de combate à evasão e de reintegração de
alunos evadidos aos bancos escolares. Obrigatoriedade dos municípios
ofertarem ensino fundamental e desobrigação do Estado com esta etapa
educacional.
“Como vemos, são muitos os “feitos” da secretária Mariza Abreu. Mas
estes “feitos” estão longe de ser vistos como façanhas que sirvam de modelo
a toda a terra. Pelo contrário, são atitudes que precisam ser revistas e o
rumo da nossa educação corrigido. A UGES, enquanto representante dos
interesses dos estudantes gaúchos, exige mudanças urgentes e necessárias na
condução destas políticas. O rumo a seguir é o do compromisso com a
qualidade, e não o do encolhimento dos investimentos. É o rumo da política
de combate à evasão escolar, e não o do fechamento de escolas.” |