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Rafael Correa rechaça invasão do Equador em operação Uribe/CIA
FFAA colombianas entraram no Equador com aviões e helicópteros, assassinaram
o dirigente e negociador das FARC, Raul Reyes e outros vinte guerrilheiros
O Equador rompeu relações diplomáticas com a
Colômbia na segunda-feira dia 3, após invasão de seu território por aviões,
helicópteros e soldados colombianos na madrugada de sábado, operação montada
pela CIA e o governo Uribe para assassinar, enquanto dormia, o chanceler das
FARC e negociador do processo de paz no governo Pastrana e, atualmente,
interlocutor das gestões para libertação de reféns, Raúl Reyes. “O
território equatoriano foi bombardeado e ultrajado intencionalmente por
parte de um governo estrangeiro”, afirmou em pronunciamento à nação o
presidente Rafael Correa, que convocou a solidariedade internacional e a
condenação do agressor. Correa também enviou tropas para a fronteira com a
Colômbia, para impedir novas violações.
O bombardeio e invasão de território equatoriano
foi amplamente repudiado na América Latina e no mundo inteiro (veja
declarações ao lado). Nas palavras da presidente chilena, Michele Bachelet,
“as fronteiras entre países se baseiam em acordos internacionais”, e não
podem “ser ultrapassadas por qualquer objetivo, legítimo ou ilegítimo”. O
ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, anunciou ter
recebido do presidente Lula a orientação de buscar “uma saída rápida para a
crise”, acrescentando que “qualquer violação territorial é grave e deve ser
condenada”, pois se trata de “uma infração que transmite insegurança a
outros Estados”.
O ministro francês das Relações Exteriores,
Bernard Kouchner, confirmou que Reyes era o contato da França nas
conversações pela libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt. “É uma
má notícia que o homem com que estávamos conversando tenha sido morto”,
disse Kouchner à rádio França Internacional. “Você vê como o mundo é mau?” O
presidente venezuelano Hugo Chávez, que tem participado das negociações com
as Farc que levaram à libertação de seis reféns, denunciou que “forças
militares norte-americanas e colombianas invadiram o Equador, assassinaram e
levaram alguns cadáveres, violando não sei quantas leis internacionais e as
próprias leis da Colômbia”. Na operação, foram massacrados mais 20
integrantes das Farc, à queima-roupa, ou pelas costas – um deles, o mais
conhecido compositor colombiano de canções revolucionárias, Julian Conrado –
e ainda, de acordo com o presidente equatoriano, “dezenas de civis”.
O chanceler venezuelano Nicolas Maduro afirmou
ter informação de que o ataque no qual foi morto o chanceler das Farc “foi
coordenado na base dos EUA em Manta”, no Equador. Além disso, boa parte das
bases que os EUA montaram na Colômbia fica na fronteira com o Equador. O
próprio general Oscar Naranjo confessou que a localização de Reyes se deu a
partir de um telefone por satélite usado pelo chanceler das FARC. Como se
sabe, grampo no mundo inteiro é a seara do braço da CIA conhecido como NSA –
Agência de Segurança Nacional – e a Colômbia não tem satélite militar
espião. O país também está sob ingerência do “Plan Colombia” desde 2000, que
inclui conselheiros militares e da CIA, armas e US$ 5 bilhões, o que torna o
país o terceiro maior em “ajuda militar”, excetuando o Iraque invadido.
Operativos da CIA e do Pentágono (“conselheiros”, “especialistas”, etc) agem
abertamente e inclusive há cinco anos as Farc capturaram três deles após
derrubarem um avião da CIA. O mesmo Naranjo disse que “não é nenhum segredo
que as agências colombianas têm uma ligação muito forte com as agências
federais dos Estados Unidos”. (Digamos que boa parte, inclusive, freqüenta
sua folha de pagamentos).
Dois dias antes da invasão o contra-almirante
Joseph Nimmich, diretor da Força Tarefa Conjunta Interagencial do Sul (o
nome denota a prática secular ingerência nos países após a fronteira sul e
não ao sul dos EUA como se esperaria de um exército comum, não imperial).
Nimmich visitou o Comando Geral das Forças Militares da Colômbia. Recebeu-o
o chefe do Estado-Maior Conjunto colombiano, almirante David René Moreno. No
site das FFAA da Colômbia há uma foto de Nimich com uma nota sobre os
objetivos da visita: “Compartilhar informação vital sobre a luta contra o
terrorismo”.
ATAQUE
“Estamos lidando com um governo extremamente
cínico”, afirmou o presidente Correa, diante dos atos de Uribe. Foi o
próprio Uribe que lhe telefonou para “informar” que tropas colombianas
haviam sido atacadas a tiros pelas Farc e “tido de revidar”, e que depois
“ingressaram 2 km na fronteira” para “buscar” o corpo de Reyes. Assim que as
autoridades equatorianas inspecionaram a área, “confirmou-se
irrefutavelmente que o Equador sofreu um ataque aéreo planificado e uma
posterior incursão de tropas colombianas, com plena consciência de que
estavam violando nossa soberania” – sublinhou Correa - mais de 10 km
fronteira adentro, e tendo cruzado o rio Putumayo. O presidente equatoriano
afirmou ainda que os 20 integrantes das Farc encontrados mortos estavam
“quase todos em roupa de dormir,o que descarta qualquer versão no sentido de
que foi uma perseguição a quente e em legítima defesa” – a versão oficial
do governo colombiano. “Tudo isto demonstra que o Ministério de Defesa
colombiano, a chancelaria desse país e o próprio presidente Uribe, ainda
mais quando me informou o fato por telefone, estão mentindo ao Equador e ao
mundo”, enojou-se Correa.
O Equador solicitou a imediata convocação da
OEA, da Comunidade Andina e, apesar do país ainda não ser membro, do
Mercosul. O presidente Correa reiterou que não basta um mero pedido de
desculpas. “Exigimos compromissos formais e assinados perante a comunidade
internacional que garantam que essas ações inaceitáveis não serão
repetidas”. A agressão do governo Uribe contra o Equador levou, ainda, o
governo venezuelano a enviar tanques e soldados para a fronteira, para
prevenir qualquer provocação. Caracas ordenou a expulsão dos diplomatas
colombianos, após a fraude do governo Uribe com os “achados dos computadores
de Reyes”.
ANTONIO PIMENTA |