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CTEEP privatizada
comemora lucro recorde com apagão em São Paulo
Entregue em
junho de 2006, a CTEEP aumentou seu lucro líquido em 630% no ano passado -
chegando a R$ 855,4 milhões - às custas de demissões em massa e queda na
qualidade dos serviços prestados à população
O apagão originado por uma explosão de um
transformador na Subestação Bandeirantes da Companhia de Transmissão de Energia
Elétrica Paulista (CTEEP), privatizada em 2006, deixou sem energia 3 milhões de
pessoas em 21 bairros na capital e parte dos municípios de Taboão da Serra e
Embu, na manhã de terça-feira (4).
Sete minutos após o problema no primeiro
transformador (às 8h45), os outros dois também pararam. Depois, veio o caos.
Semáforos apagados ou intermitentes ocasionaram acidentes e o congestionamento
recorde de 155,8 km, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET); a Linha
1 do metrô (Norte-Sul) parou de circular por sete minutos entre as estações
Jabaquara e Praça da Árvore, apresentando lentidão entre as outras estações; o
check in do aeroporto de Congonhas ficou paralisado por 15 minutos; elevadores
parados, com gente dentro; enfim, toda sorte de transtornos à população.
No setor elétrico, além das tarifas extorsivas,
as conseqüências imediatas da privatização têm sido a queda na qualidade dos
serviços e a demissão em massa. Não foi diferente no caso da Transmissão
Paulista. “Desde o ano passado, foram demitidos 1.700 funcionários da CTEEP, 60%
deles responsáveis pela manutenção das subestações”, denunciou o vice-presidente
do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (Stieesp), Carlos Alberto dos Reis.
O sindicalista frisou que “sem o quadro suficiente, a vistoria dos equipamentos
está sendo negligenciada e, se nada for feito, novos apagões vão se repetir”.
A CTEEP divulgou suas demonstrações contábeis de
2007, registrando um lucro líquido de R$ 855,483 milhões, um aumento de 630% em
relação ao ano anterior, o que demonstra, mais uma vez, o assalto ao patrimônio
público. Ao mesmo tempo, cortaram em 63% as despesas com serviços de operação,
reduzindo, por exemplo, pela metade o número de centros de controle. Avaliada em
R$ 16 bilhões na época do leilão, foi entregue à colombiana Interconexión
Eléctrica S.A. (ISA) por apenas R$ 1,193 bilhão, um dos maiores escândalos da
privatização. Para concretizar a venda, o então presidente da estatal, José
Sidnei Colombo Martini, foi enviado pelo governo paulista a Bogotá, em janeiro
daquele ano, onde se reuniu com diretores da ISA. Ou seja, cinco meses antes da
transação. Agora, a CTEEP colhe os louros da privatização com lucro recorde - e
apagão para a população.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
deu um prazo até esta sexta-feira (7) para a CTEEP apresentar um relatório sobre
a ocorrência e o governador José Serra (PSDB) disse que iria “cobrar uma
explicação muito convincente a esse respeito”. No terreno da aparência, os
tucanos, a CTEEP e a Aneel poderão apresentar falhas, panes ou até a mesmo a
explosão como justificativa para o apagão, mas continuarão na mesma, ou seja:
apenas na aparência. A essência está na política de desmonte do Estado
exacerbada por Fernando Henrique e por seus congêneres de partido em São Paulo,
que tem como núcleo a entrega de 121 estatais aos monopólios privados
estrangeiros.
A privatização no setor começou com a Excelsa em
1995. A última – até o momento, uma vez que o governo Serra pretende leiloar a
CESP no próximo dia 26 de março - foi exatamente a CTEEP, sendo que as outras
três oriundas da cisão da CESP, como a CTEEP, foram leiloadas em 1998 e 1999. O
resultado da privatização de empresas de energia elétrica foi o apagão de 2001,
com a constituição do “ministério do apagão” e tudo mais. O racionamento se
estendeu até fevereiro de 2002. E aconteceu porque as empresas privatizadas não
investiram à altura das necessidades do país, simplesmente porque os monopólios
não estão interessados no desenvolvimento do Brasil, muito menos no bem-estar da
população. Só têm olhos para os superlucros, regiamente remetidos para suas
matrizes no exterior. Para piorar, a fatura do racionamento foi jogada para cima
do povo brasileiro, que pagou por uma energia que não lhe foi fornecida.
O apagão ocorrido em São Paulo é uma inequívoca
demonstração que a transferência das estatais para os monopólios privados se
traduziu em um retrocesso em todos os sentidos: subavaliação do valor empresas,
queda nos serviços que devem ser oferecidos à população e tarifas de escorcha
para abarrotar os cofres das privatizadas.
É o caminho que a atual administração paulista
pretende trilhar com o leilão da CESP por um preço de apenas R$ 7,05 bilhões,
inferior ao valor de uma usina – entre seis -, a de Porto Primavera (R$ 12
bilhões). Por isso mesmo, cresce a cada dia a campanha em defesa da terceira
maior geradora de energia elétrica do país.
VALDO
ALBUQUERQUE |