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Pela quarta
vez consecutiva, Copom recusa redução dos juros básicos
BC intensifica
sabotagem ao crescimento; juros reais alcançam topo do ranking mundial
Trabalhadores e representantes dos setores
industrial e comercial afirmaram ser “inexplicável” a decisão do Conselho de
Política Monetária (Copom) do Banco Central que, pela quarta reunião
consecutiva, decidiu manter a taxa básica de juros do país, Selic, em 11,25%.
Com isso, o Brasil ultrapassou a Turquia que, desde julho do ano passado, era
campeã dos juros reais mais altos com mundo.
De acordo com o estudo divulgado pela
consultoria econômica Uptrend, levando em consideração inflação projetada para
os próximos 12 meses, a taxa real de juros brasileira já chega a 6,73% ao ano,
contra 6,69% da Turquia. Na terceira colocação, a Austrália aparece com 2 pontos
percentuais a menos (4,89%).
A Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp), em nota oficial, disse não encontrar “razões plausíveis” para a
manutenção da taxa de juros brasileiros num patamar que “tira a competitividade
do produto nacional”.
“A ata da reunião anterior revelava forte
preocupação das autoridades monetárias com a trajetória inflacionária. Mas os
índices de preços, em especial o IPCA, não confirmaram essas expectativas
pessimistas. Ao contrário, o susto passou e a inflação refluiu, tornando
inexplicável o conservadorismo do Copom e a manutenção da taxa pela quarta
reunião consecutiva” afirmou Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio
do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).
Para os economistas do Instituto de Estudos para
o Desenvolvimento Industrial (IEDI), que analisaram a capacidade instalada da
indústria brasileira, “o recuo da inflação e do grau de utilização de capacidade
e a forte valorização do Real já autorizam o reinício da redução da taxa de
juros pelo Banco Central”.
A Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB)
denunciou que a manutenção dos juros beneficia “exclusivamente o setor
especulativo”.
“É importante salientar que os índices de
inflação não apresentam nenhum risco de alta, que a indústria só irá fazer
investimentos para aumentar a capacidade instalada se os juros caírem e que a
economia vem rendendo bons resultados devido ao PAC e às reduções que, mesmo
tímidas, foram feitas no ano passado”, diz a nota da Central que caracterizou
como “antagônica aos interesses do país” a decisão do Copom.
Apenas a “obsessão pelos juros reais mais altos
do mundo”, parece justificar a decisão do Copom que, segundo a nota da Central
Única de Trabalhadores (CUT), “não só deveria baixar a Selic como, cumprindo
função constitucional, também estipular metas de queda para os juros do mercado,
injustos para trabalhadores e consumidores e tão gentis com o sistema
financeiro”.
O presidente da Confederação Nacional da
Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, afirmou que “a manutenção dos juros
amplia o diferencial em relação aos juros norte-americanos e exacerba o processo
de valorização da moeda brasileira, o que provoca danos a segmentos industriais
brasileiros”.
E Paulo Pereira da Silva, presidente da Força
Sindical, ressaltou o fato de que o juro neste patamar “se torna proibitivo para
os investimentos no setor produtivo e inibe a criação de novos postos de
trabalho”. “Mais uma vez, os tecnocratas do Banco Central desperdiçaram uma
importante oportunidade de sinalizar que apostam no setor produtivo e na
distribuição de renda”, disse.
A Associação Comercial de São Paulo (ACSP)
afirmou esperar “que o Banco Central retome o mais rapidamente possível o
processo de redução dos juros, para incentivar os investimentos e o
crescimento”. |