Brasil condena a agressão ao Equador e defende negociação

Para Celso Amorim, condições do presidente do Equador para resolver a crise são razoáveis

O governo brasileiro condenou a violação do território equatoriano por forças militares da Colômbia, que aconteceu na madrugada de sábado, dia 1º de março, em uma operação contra integrantes das FARC. Na operação foram assassinados Raul Reyes, líder e chanceler das FARC, e mais 21 pessoas, no momento em que quase todos estavam dormindo.

Nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou “extremamente importante” a decisão da Organização dos Estados Americanos (OEA), firmada em resolução aprovada por aclamação, criando uma comissão para investigar as circunstâncias da incursão militar colombiana no Equador. “O território de um Estado é inviolável e não pode ser objeto de ocupação militar nem de outras medidas de força tomadas por outro Estado, direta ou indiretamente, seja qual for o motivo, mesmo de forma temporária”, diz o texto da resolução.

“Acho importante, porque vamos aprendendo também que, por mais soberano que seja um país, ele é soberano no seu território e não no território dos outros. Se a gente permite que isso (invasões de territórios) continue acontecendo sem que haja uma ação em conjunto de todos os países, amanhã qualquer fronteira pode ser violada, e as pessoas acham que não têm que dar explicações”, afirmou Lula.

Antes de participar da cerimônia de lançamento do 2º Plano Nacional de Políticas para a Mulher, no Palácio do Planalto, o presidente ressaltou que somente em um ambiente de paz a América do Sul conseguirá se desenvolver. “Não há nenhuma perspectiva desse continente dar um salto de qualidade, de crescer economicamente, socialmente, se a gente não estiver vivendo uma política de paz, harmonia e tranqüilidade; se os países não forem verdadeiramente irmãos”, acrescentou Lula.

A criação da comissão, que foi uma proposta feita pela representação do Brasil no organismo internacional, foi recebida com satisfação pelo governo brasileiro. Conforme havia sugerido o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a OEA decidiu convocar, para o próximo dia 17, uma reunião de chanceleres para examinar as conclusões apuradas pela comissão especial, que vai visitar a Colômbia e o Equador.

O ministro ressaltou também, durante a visita do presidente equatoriano Rafael Correa ao Brasil, na última terça-feira, que “seria sábio dos Estados Unidos perceberem que esse é um assunto que os latino-americanos devem se preocupar em resolver”. O governo norte-americano se pronunciou claramente a favor da agressão da Colômbia, além de ter dado o apoio logístico. “Os EUA participam da OEA, mas haverá mais possibilidade de solucionar o conflito no marco dos países sul-americanos ou latino-americanos”, declarou o chanceler brasileiro, em entrevista à TV Brasil.

Para o ministro das Relações Exteriores, as três condições estabelecidas pelo presidente do Equador para resolver a crise são razoáveis. Correa deseja que a Colômbia faça um pedido de desculpas inequívoco, que garanta que a invasão territorial não vai se repetir e que coloque de lado outras acusações que surgiram depois, como o suposto apoio equatoriano às FARC.  

Na quarta-feira, Celso Amorim assinalou que o Brasil trabalha para que se chegue a uma solução dentro da OEA ou no âmbito da cúpula do Grupo do Rio, um colegiado de concertação política dos países latino-americanos, que se reúne em Santo Domingo, na República Dominicana, nesta sexta-feira. “Nosso objetivo não é ser o mediador, nosso objetivo é ter a paz. Faremos tudo o que está ao nosso alcance para isso”, afirmou.

O chanceler acrescentou que, do ponto de vista político, uma crise deste tipo na região é ruim porque pode atrapalhar a integração sul-americana. “Qualquer coisa que ameace esta integração é grave porque debilita nossa posição diante do mundo. E quanto menos unidos estivermos mais facilmente seremos vítimas de negociações inadequadas. Estaremos mais longe de conseguirmos nossos objetivos de progresso e desenvolvimento”, avaliou.

Na sua visita a Lula, na quarta-feira, Rafael Correa expôs a posição equatoriana sobre a violação do território do Equador por militares colombianos. O chefe de Estado exigiu que o governo de Álvaro Uribe reconheça “publicamente” que mentiu, quando apresentou a invasão como parte de uma “perseguição imediata” e assuma que, na verdade, teria sido um massacre planejado.

“A indecência chega ao abuso de inventar histórias mentirosas”, disse, rechaçando as insinuações do governo colombiano de que teria encontrado documentos, em computadores apreendidos no local, que revelariam supostas ligações entre o governo do Equador e as FARC.


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Errata

Cartas

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