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Rupert Murdoch e a ABPTA dizem a Bittar que o céu vai cair se houver cotas na TV
por assinatura
A Sky e a Associação Brasileira de Programadores
de Televisão por Assinatura (ABPTA) entregaram, na última segunda-feira, um
estudo ao deputado Jorge Bittar (PT/RJ) no qual afirmam que a política de cotas
propostas pelo seu projeto (PL 29/07), que cria novas regras para o setor de TV
por assinaturas, causaria uma verdadeira catástrofe no setor, aumentando o valor
cobrado do assinante em até 144% e podendo gerar uma redução imediata de 1,5
milhão no número de pontos instalados.
Isso se daria porque o custo para produzir
programas nacionais pode atingir a casa dos R$ 3,3 bilhões, fato que elevaria o
preço dos pacotes cobrados a R$ 228,51, causando aumento do IPCA e fazendo que
4,4 milhões de clientes em potencial deixem de assinar a TV a cabo até 2010.
Embora traga “brasileira” em seu nome, a ABPTA é
o braço local da TAP (Television Association of Programmers), associação de
programadores de televisão por assinatura sediada em Miami. A Sky pertence a
Rupert Murdoch, que dispensa maiores apresentações.
Como se pode observar, o objeto do estudo
encomendado pelos grupos estrangeiros, que já dominam alguns segmentos da TV por
assinatura, formal ou ilegalmente, é bombardear a tentativa da nova lei de impor
um conteúdo mínimo nacional na grade da programação. Dados da Ancine apontam que
os filmes brasileiros representam apenas 0,5% das exibições na TV por assinatura
e 5,5% na TV aberta.
As “projeções” da Sky pretendem fazer com que os
brasileiros, e principalmente o deputado, acreditem que a produção nacional está
condenada a ficar excluída da TV por assinatura, em virtude da desgraça
econômica que irá causar ao setor e pela baixa qualidade dos programas
brasileiros (e falam isso como se os programas ruins exibidos na TV a cabo
fossem uma maravilha).
A pressão de tais conglomerados é mais uma
demonstração de que a concessão feita pelo deputado de acabar com as sensíveis
restrições ao capital externo no controle do setor não os sensibilizou a
aceitarem as cotas de 10% para a produção nacional.
Além disso, Murdoch e Cia. “sugerem” que se a
nossa intenção é estimular o conteúdo e as produções nacionais, “a solução
deveria estar baseada no desenho de incentivos econômicos” e de “financiamento”
estatal, pois o governo estará “impondo aos consumidores o consumo do bem
(produção nacional) que não desejam”. Isto é, fazer com que o Estado pague pela
produção que eles irão transmitir em seus canais. |