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Rafael Correa:
“Longe de pedir desculpas pela agressão, governo Uribe passou a nos acusar”
O presidente do Equador, Rafael Correa,
denunciou que “minha pátria foi agredida, bombardeada”. “A indecência, a
falta de ética é sem igual”, acrescentou. “Ante a tanta falta de vergonha,
tivemos que romper relações não com um irmão, o povo colombiano, mas com o
governo, que quer a guerra e não a paz”. Ele destacou que é imprescindível
“ratificar a inviola-bilidade da soberania dos países”. Imaginem – apontou –
se é aceita “a lógica do presidente Uribe de que se pode atacar em qualquer
território”. Todos os países limítrofes teriam que atacar as Farc na
Colômbia. “Se as Farc são um perigo para a região, com tem manifestado Uribe,
se queremos pegar um guerrilheiro que está num hotel em Bogotá, vamos
bombardeá-lo também”, ironizou.
Lembrando que seu país foi bombardeado, Correa
questionou se “por sermos um país pequeno vamos permitir esse ultraje?”
“Contamos com a comunidade internacional, mas sobretudo contamos com a nossa
própria força, dignidade, e não permitiremos o ultraje de um governo que
traiu qualquer princípio de direito internacional, mas sobretudo a confiança
dos países amigos, irmãos”. “Longe de pedir desculpas pela agressão à nossa
soberania, tiveram a audácia de nos acusar de proteger as Farc e a nos pedir
explicações”.
Em sua visita ao Brasil, Correa agradeceu ao
apoio recebido. “Só tenho palavras de agradecimento ao presidente Lula, ao
chan-celer Celso Amorim, porque eles têm defendido princípios, o princípio
de que a soberania é sagrada e nenhum governo por predestinado ou divino que
se creia, por supostas lutas anti-terroristas que acredita estar levando a
efeito, não tem o direito de agredir outro país soberano”.
Quanto ao pretexto das “bases das Farc”, o
presidente equatoriano lembrou que “Uribe tem 70 mil quilômetros [quadrados]
controlados pelas Farc”. “Ele não pode vir com esse infantilismo de que
porque existem bases no Equador, como há no Peru, como provavelmente no
próprio Brasil, como há na Venezuela. São lugares de acesso terrivelmente
difícil, fronteiras tremendamente porosas”, denunciou. “Insisto, o próprio
Uribe, com os três bilhões de dólares anuais que recebe dos americanos,
apesar da alta tecnologia de que dispõe, dos 400 mil soldados, não consegue
detectar as bases da Colômbia. De que está falando? Que vá contar essas
histórias em outros lugares. Não vai justificar o que fez: uma agressão
injustificável a um país irmão”. |