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“Cada um tem
que respeitar as fronteiras dos outros”, adverte o presidente Nicolas
Sarkozy
O presidente francês Nicolas Sarkozy condenou o
ataque ao Equador desfechado pelo governo Uribe, apontando, em entrevista ao
canal de TV colombiano “RCN”, que “cada um tem de respeitar as fronteiras
dos outros”. Indagado pelo repórter se os países tinham direito de perseguir
supostos terroristas “fora de seu próprio território por razões de segurança
nacional”, Sarkozy afirmou que “a resposta internacional é não”. Ele
acrescentou que as democracias “devem defender-se por meio das regras da
democracia”. Pedindo “calma e sangue frio”, aos países envolvidos na crise,
o líder francês defendeu um entendimento, enfatizando que “Colômbia, Equador
e Venezuela são irmãos, amigos”. Sarkozy também voltou a se prontificar a ir
até a fronteira Venezuela-Colômbia para ajudar na libertação de Ingrid.
Após o chanceler francês, Bernard Kouchner, ter
anunciado que o contato da França com as Farc para a libertação de Ingrid
Betancourt era o assassinado Raúl Reyes, e ter comentado “como o mundo é
mau”, surgiram novos indícios de que se tratou de uma ação premeditada do
governo Bush e de Uribe. O governo francês informou, ainda, que o governo
Uribe estava informado do contato com Reyes.
O presidente do Partido Comunista da Argentina,
Patrício Echegaray, afirmou à Reuters que “pela informação que temos,
sabemos que havia pessoas do governo francês, gente encarregada de realizar
as negociações, muito perto do acampamento de Raúl, poderíamos dizer a
algumas horas de caminhada”. Echegaray iria se reunir na sexta-feira com
Reyes num acampamento para ouvir dele um relato sobre os rumos da Farc após
a recente libertação unilateral de seis reféns. “É muito terrível o que fez
Uribe, o que fez a Colômbia, porque no mínimo demora [a libertação de mais
reféns], e essa demora no caso de Ingrid é uma demora que tem custos para a
saúde dela”, afirmou o dirigente do PCA.
O ex-marido de Ingrid, Fabrice Delloye,
denunciou ao canal de TV “France 5”, que na semana passada o alto
comissariado colombiano para a paz, Luis Carlos Restrepo, havia se reunido
com emissários e delegados da França, Espanha e Suíça para pedir que “fossem
ver Reyes”. “Estava estipulado” que esses emissários iriam se reunir com
Reyes “nas próximas semanas” visando chegar ao acordo de libertação. Delloye
classificou a ação de Uribe de “abominável”, a quem acusou de ter decidido a
ofensiva em território equatoriano para impedir um acordo humanitário.
O presidente equatoriano, Rafael Correa, afirmou
nesta segunda-feira (3) que o ataque colombiano contra um acampamento das
Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Equador frustrou a
libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt e de outros dez reféns da
guerrilha. A libertação deveria ocorrer em março no Equador.
Também o presidente Rafael Correa afirmou, na
mensagem à nação de ruptura de relações com o regime Uribe: “lamento
informar que os diálogos estavam bastante avançados para libertar no Equador
onze reféns, entre eles Ingrid Betancourt”. “Tudo foi frustrado pelas mãos
belicistas e autoritárias. Não podemos descartar que esta foi uma das
motivações da incursão por parte dos inimigos da paz”. O ministro da
Segurança, Gustavo Larrea, afirmou que as Farc “ofereceram a libertação” de
Betancourt para março”.
A.P. |