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Governo
tenta melhorar câmbio taxando parte da especulação; mas ainda falta baixar os
juros
Ante o câmbio
desfavorável, ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou na quarta-feira (12)
três medidas que começam a vigorar a partir do dia 17: cobrança do Imposto sobre
Operações Financeiras (IOF) na entrada de capital estrangeiro para aplicações de
renda fixa, principalmente títulos públicos (portfólio); fim da cobrança de
0,38% de IOF nas operações de câmbio dos exportadores; e fim da cobertura
cambial.
A taxação
sobre os especuladores estrangeiros será de 1,5%, visando, segundo o ministro,
diminuir a rentabilidade desses “investimentos”, principalmente no curto prazo.
“Isso vai diminuir o diferencial de juros e, com isso, vamos diminuir o fluxo”,
argumentou, referindo-se à diferença entre os juros norte-americanos (baixos) e
os juros internos (altos). Ele disse que só no mês de janeiro entraram no Brasil
US$ 1,6 bilhão para aplicações em renda fixa. “Quando a CPMF acabou, não
colocamos nada em seu lugar. Isso aumentou o rendimento dessas aplicações”,
explicou.
No entanto,
essa medida não será utilizada nas especulações com renda variável, como ações
da Bolsa de Valores, lançamento de ações (IPOs), investimento estrangeiro
direto, fundos de investimentos de derivativos com renda variável (CDI e índice
de ações) e empréstimos estrangeiros.
A desoneração
das exportações, com a isenção de 0,38% de IOF nas operações de câmbio, terá um
impacto fiscal de R$ 2,2 bilhões no ano, de acordo com o ministro da Fazenda.
Com o fim da cobertura cambial, as empresas não são mais obrigadas a
internalizar os recursos das exportações – 70% do total, atualmente.
“São as
primeiras medidas no sentido de sinalizar os exportadores de que queremos que as
exportações continuem robustas. Não espero que com essas medidas ocorra uma
grande mudança no câmbio”, disse Mantega.
Certamente, para isso é preciso tirar o país da condição de campeão mundial dos
juros altos. |