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Panes
deixam usuários do Metrô a ver navios
Na manhã da
última quarta-feira, um trem da Linha 3-Vermelha do Metrô de São Paulo não tinha
tração suficiente para levar os passageiros. A composição seguia no sentido
Barra Funda e teve um problema entre as estações Tatuapé e Belém. Na terça, uma
falha mecânica interrompeu a circulação entre as Estações Jabaquara e Saúde, da
Linha 1-Azul, por 42 minutos. Este tipo de prolema está cada dia mais recorrente
no meio de transporte paulistano, que já foi tido como de excelência.
Segundo o
Sindicato dos Metroviários, um trem anda de 400 a 500 quilômetros por dia
levando 3 milhões de passageiros, qualquer problema em uma peça pode parar a
circulação dos trens por vários minutos, ou até por horas – até que seja
removido da linha.
De acordo com
o Sindicato, hoje a prática é a da “canibalização” das peças, ou seja, quando
uma peça dá problema, se faz uma “gambiarra” com uma de outro trem. Não tem
renovação de peças. O resultado é que os trens estão sendo sucateados.
Outro problema
apontado é a terceirização da mão-de-obra. Em 1998, o Metrô tinha 9 mil
funcionários para atender 1,5 milhão de pasageiros, hoje são 7.400 para 3
milhões e 61,3 km de linhas e 55 estações.“A
falta de investimento, a política de gestão da empresa para o setor operativo e
de manutenção foi levando a isso”, afirmou o secretário de Comunicação do
Sindicato dos Metroviários, Benedito Barbosa, ao HP.
“Nesses
últimos 10 anos foi caindo a quantidade de metroviários por aposentadorias, por
demissões. E, infelizmente, o quadro não foi reposto como deveria. Então, a
política de recursos humanos foi aquém do que seria necessário para o número de
usuários que hoje o Metrô transporta. Antes nós transportávamos menos usuários
com maior número de funcionários e agora nós temos mais usuários para um número
menor de funcionários”, denunciou.
MARIANA
MOURA |