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A campanha da “Folha” contra Paulinho e Lupi
Desde a sua edição do dia 11 do mês passado, a
“Folha de S. Paulo” publicou 28 matérias em que aparece o nome do presidente da
Força Sindical e deputado federal Paulo Pereira da Silva, conhecido por
Paulinho, todas levantando supostas irregularidades em convênios com o
Ministério do Trabalho. Surpreendentemente – para quem não conhece a “Folha” -
essas matérias são repetições umas das outras, sem tirar nem por, e sem sair do
mesmo lugar.
Em suma, apesar dos esclarecimentos e da
demonstração de que a denúncia é vazia – a própria “Folha” não acusa Paulinho
nem sua entidade de se apropriar indevidamente (ou, mesmo, não-indevidamente) de
qualquer quantia, mas de presumivelmente terem essa intenção, através de
projetos nunca realizados – o jornal repetiu, em 26 matérias, exatamente
o que está nas duas primeiras. Ou seja, encheu páginas cozinhando e
auto-recozinhando 26 vezes a mesma coisa, sem acrescentar nada de novo, apenas
reelencando insinuações e ilações contra o sindicalista, o ministro do Trabalho
e algumas outras pessoas. Essa cozinha industrial de matérias ignorou – e
continua ignorando - o que falaram os acusados, apesar da “Folha” não tê-los
desmentido. Ao invés disso, o jornal lançou suspeita sobre suas assertivas, sem
desmontá-las – e sem provar as acusações iniciais.
Evidentemente, isso caracteriza uma “cruzada”,
uma campanha de difamação ou, nas palavras de um antigo ombudsman da “Folha”,
uma tentativa de execução moral. Mas, por que tanta insistência sem que haja
fatos, provas? Até recentemente, Paulinho não era um alvo da “Folha”. Por que
passou a sê-lo?
O sindicalista sempre publicou artigos naquele
jornal. O último saiu na edição de 16 de janeiro deste ano, uma defesa do
ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente do seu partido, o PDT, que estava
sendo atacado por Marcílio Marques Moreira, então presidente interino da
Comissão de Ética Pública.
Marques Moreira tem velhas relações com a
“Folha”. Quando ministro da Fazenda de Collor, esse jornal até inventou para ele
uma nova categoria: a de “ministro ético”, uma espécie de flor da latrina - ou
de anjo do prostíbulo.
Uma interessante espécie de ética, pois Moreira
foi ministro da Fazenda e, antes, embaixador do Brasil em Washington, sem ver
nenhum problema em também ser membro dos conselhos da IBM, Reynolds, General
Electric, Textron, Hoechst, American Bank Note, Marsh & McLennan Group e
consultor da Merril Lynch, de Wall Street.
Depois de ser ministro da Fazenda de Collor,
Marcílio Marques Moreira foi alçado por Fernando Henrique à Comissão de Ética
Pública – não porque o prostíbulo fernandista precisasse de um anjo, mas,
certamente, porque Marcílio sintetizava, como ninguém, a ética daquele governo.
Em seu artigo, escrito em parceria com o também
deputado federal pedetista Mário Heringer, denunciava Paulinho que “esse
ex-ministro de eras não éticas agora descobriu que o ministro Lupi não pode ser
também presidente de partido. A ética do consultor de empresas que preside a
comissão baseia-se, então, no ditado ‘me engana que eu gosto’? Pelo raciocínio
dele, Carlos Lupi pode continuar ministro desde que se licencie da presidência
do PDT. Nós fingiremos então que, a partir desse momento, ele deixará de ser
partidário... Tudo fabricado pelos “puros de agora”, estes que, sentados sobre
os rabos do passado, metem-se a ditar as regras do futuro. Isso que querem não é
ética, e sim ótica ditada pela economia. (....) O que se esperava colocando um
trabalhista na função de Ministro do Trabalho? Que ele continuasse a defender os
interesses dos poderosos? Nós é que fugimos do sistema escravocrata. (....)
estamos dispostos a discutir a modernização das relações trabalhistas e até
dotá-las de ferramentas atuais. Por exemplo: em lugar da carteira de trabalho
grande e de papel, usar um cartão digital, prático e definitivo. Ainda que isso
prejudique a empresa [American Bank Note] cujos interesses o presidente da
Comissão de Ética Pública representa”.
Tudo absolutamente verdadeiro. Por isso mesmo, a
“Folha” não gostou. Nem da defesa que Paulinho fez do ministro nem, menos ainda,
de ver exposto o perfil de um seu aprochegado de forma tão proletária, isto é,
tão sem rebuços.
Quinze dias depois, no dia 31 de janeiro,
apareceram duas notas na “Folha” que tentavam ligar Paulinho a negócios escusos,
sem apresentar provas. A campanha de difamação ainda não havia encontrado seu
mote. Somente 10 dias depois ela começou.
É compreensível que, diante da enxurrada
difamatória que não levava em consideração o que dizia, como se não fizesse
diferença, Paulinho tenha desabafado em termos algo explosivos e, mesmo, em
alguns momentos, inadequados. E só os fariseus mais empedernidos podem se
aproveitar disso para se apresentarem como vítimas de suas vítimas. Foi
exatamente o que a “Folha” perpetrou, após o desabafo de Paulinho.
Paulinho é presidente de uma central de
trabalhadores. A “Folha” é um monopólio de imprensa, entrelaçado com os outros
monopólios de mídia do país. Querer apresentar-se como vítima de Paulinho – e
haja editoriais hipócritas e colunistas de aluguel para atacarem o sindicalista
– é coisa de falsários e invertebrados, que não assumem o que fazem. No que não
há, realmente, novidade.
CARLOS LOPES |