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Trabalhadores
celebram vitória histórica: centrais legalizadas
Após
décadas de mobilização e luta da classe trabalhadora, plenário da Câmara
reconhece as centrais como órgãos de representação e derrota a emenda que
assaltava a contribuição das entidades
Após mais de duas décadas de mobilização e de luta, o
movimento sindical brasileiro garantiu na noite de terça-feira uma conquista
histórica: o reconhecimento das centrais como órgãos de representação geral dos
trabalhadores. Por 234 votos a 171 e seis abstenções, a Câmara dos Deputados
aprovou o Projeto de Lei 1990, que agora vai à sanção presidencial.
Representantes da CUT, CGTB, NCST, UGT, Força e CTB
passaram todo o dia realizando corpo-a-corpo com os deputados, defendendo a
manutenção do PL nos termos em que foi aprovado pelos senadores. Vindas de todo
o país, as lideranças acompanharam a votação nas galerias da Câmara e
comemoraram a rejeição da emenda patronal que surrupiava a contribuição
sindical.
Na primeira votação na Câmara, em 18 de outubro do ano
passado, uma emenda apresentada por Augusto Carvalho (PPS-DF) havia derrubado
subitamente o imposto sindical para as entidades de trabalhadores, mantendo-a,
no entanto, para as representações empresariais. A proposta do deputado do PPS,
curiosamente intitulada também de emenda 3 - a mesma com que a direita pretendia
assaltar os direitos dos trabalhadores -, não previa qualquer tipo de
financiamento para a estrutura sindical.
DEFESA
Para defender o texto sem emendas, como reivindicavam os
trabalhadores, revezaram-se na tribuna os deputados Maurício Rands (PT-PE),
Vicentinho (PT-SP), Tarcísio Zimmermann (PT-RS) e Roberto Santiago (PV-SP). Do
lado de lá, um dos mais afoitos era Ronaldo Caiado (ex-PFL-GO), acompanhado de
Augusto Carvallho.
O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB),
Antonio Neto, afirmou que “a aprovação da lei é um marco na história do
movimento sindical brasileiro, mais uma importante vitória da classe
trabalhadora e do país. A unidade das centrais sindicais, o respeito ao acordo
firmado com o presidente Lula e a nossa mobilização garantiram este avanço da
democracia”.
Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT),
Artur Henrique, “o reconhecimento das centrais fortalece a democracia e abre
caminho para outras conquistas que queremos, como a organização nos locais de
trabalho e o pleno direito à informação e negociação para o setor público e
privado”.
Primeiro deputado a discursar na tribuna da Casa, em defesa
do PL, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) fez um
apelo para que não houvesse obstrução à matéria. Paulinho relatou que a votação
estava sendo acompanhada por dirigentes sindicais de todo o país, que vieram a
Brasília especialmente para isso. “Ela é de interesse dos trabalhadores do
Brasil inteiro”, sublinhou.
Segundo o presidente da União Geral do Trabalhadores (UGT),
Ricardo Patah, “esta vitória histórica vai democratizar as relações dos
trabalhadores com o mundo jurídico, e é fruto da nossa unidade. A manutenção da
contribuição sindical é uma demonstração da necessidade de recursos para que
estas entidades possam qualificar e capacitar os trabalhadores. Agora, o próximo
passo é a redução da jornada de trabalho sem a redução de salários”.
APROVAÇÃO
De acordo com o presidente da Central dos Trabalhadores e
Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, a aprovação sem a emenda que
pretendia acabar com a contribuição sindical obrigatória é um importante avanço.
“A organização sindical é uma conquista histórica dos trabalhadores. O patronato
pretendia asfixiar os sindicatos com esta emenda feita sob medida para os
interesses contrários aos dos trabalhadores”, apontou.
Outra emenda aprovada limita a vigência dos artigos da
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) sobre a contribuição sindical até que
uma lei discipline a contribuição negocial, vinculada à negociação coletiva e à
aprovação em assembléia geral da categoria. Já em relação à fiscalização dos
recursos repassados ao movimento sindical, o Senado também incluiu várias
entidades entre as que estarão sujeitas à auditoria do Tribunal de Contas da
União (TCU).
Além das centrais sindicais, para as quais a Câmara já
havia previsto a necessidade de prestar contas do dinheiro da contribuição
sindical, a emenda do Senado estende a obrigação aos sindicatos, às federações e
às confederações das categorias econômicas profissionais ou das profissões
liberais.
A última emenda acatada pela Câmara muda a definição de uma
das atribuições das centrais sindicais. Em vez de “exercerem” a representação
dos trabalhadores por meio das organizações sindicais a elas filiadas, as
centrais deverão “coordenar” essa representação.
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COQUEIRO |