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110 entidades estudantis de todo o país
repudiam censura a Requião
“Tal
ato não só desrespeita os direitos conquistados
por décadas de luta do povo brasileiro, como
subverte o papel da Justiça, transformada em
agente de censura e perseguição”, diz o
manifesto entregue ao governador por dirigentes
da UNE e UBES
Lideranças da UNE (União Nacional dos
Estudantes), da UBES (União Brasileira de
Estudantes Secundaristas) e da UPE (União
Paranaense dos Estudantes Secundaristas)
entregaram ao governador Roberto Requião, na
terça-feira (11), um manifesto de repúdio à
censura imposta a ele pelo desembargador Edgar
Lippmann Júnior. A medida do desembargador
proíbe o governador de manifestar sua opinião no
programa Escola de Governo, da TV Educativa do
Paraná.
“Tal
ato não só desrespeita os direitos conquistados
por décadas de luta do povo brasileiro, como
subverte o papel da Justiça, transformada em
agente de censura e perseguição”, afirma o
manifesto, entregue ao governador pelo
secretário-geral da UNE, Ubiratan Santos, e
Michelli Bressan, vice-presidente da UBES, que
representaram as 110 entidades estudantis de
todo o Brasil que assinam o documento.
Agradecendo o apoio dos estudantes, Roberto
Requião disse que “quando as instituições
vacilam, quando a OAB titubeia, quando as
instituições que deveriam defender a liberdade
de expressão e a democracia se colocam contra
ela, esta ausência é suprida pelos movimentos da
juventude, pelo movimento estudantil”. Para o
governador, o movimento estudantil é “uma
reserva de revolta, de coragem e de
desengajamento em relação às estruturas
econômicas e de poder”.
“Eu
sou o único governador do Brasil censurado.
Qualquer opinião que eu venha a estender crítica
em relação à imprensa, ao Judiciário e ao
Ministério Público, me custa uma multa de R$ 200
mil”, disse Requião.
Para Ubiratan, “o movimento estudantil considera
um retrocesso inconcebível o cerceamento da
liberdade de expressão no País e classifica a
atitude do desembargador como uma censura prévia
e perseguição política ao governador do Paraná”.
“A
liberdade de expressão e comunicação garantida
pela Constituição Brasileira é uma das maiores
conquistas da nossa sociedade. Através dela
impedimos a censura e a perseguição contra o
direito de expressar as nossas opiniões”,
afirmou Michelli Bressan.
Segundo o documento “o desembargador Lippmann
Júnior, que antes se dedicava a garantir o
funcionamento dos bingos por meio de liminares,
deveria utilizar o cargo que tem para combater o
ilegal monopólio da informação existente no
Brasil e a entrada inconstitucional de capital
estrangeiro nos meios de comunicação”.
O secretário-geral da UNE informou que o
manifesto foi aprovado por unanimidade na
diretoria da UBES e na diretoria da UNE e “pelas
mais diversas entidades do país, de diversas
tendências, diversas ideologias, que depois de
anos conseguiram se unificar neste documento”.
Segundo os dirigentes da UNE e UBES, o documento
traduz “a combatividade que o movimento
estudantil sempre apresentou durante a história
- no combate à ditadura, à repressão e ao
cerceamento da liberdade de expressão”.
“Hoje
a gente reconhece como tendo no Brasil um chefe
de Estado que se mantém firme contra esse crime
que vem sendo perpetrado contra a TV Educativa,
contra o Estado do Paraná”, disse Michelli.
Os estudantes manifestaram ao governador a sua
solidariedade e o compromisso de “manter a
ofensiva necessária para que seja derrubada a
censura e a perseguição política”, se somando
“as diversas entidades do movimento social, a
ABI, a Fenaj, parlamentares, artistas e
importantes personalidades que já manifestaram a
sua repulsa à ilegal censura e perseguição
contra o Paraná e o seu governador”.
O manifesto foi assinado por Uniões Municipais
de Estudantes Secundaristas de 17 capitais
brasileiras, dezenas de entidades secundaristas
do interior de vários estados, Diretórios
Centrais e Centros Acadêmicos de várias
universidades, além de grêmios estudantis e
associações de jovens. |