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Bush torra US$ 500 milhões por dia com a ocupação do Iraque
“Com uma sexta parte do custo da guerra, o país poderia construir uma base
econômica sólida para seu sistema de seguridade social durante mais de meio
século”, ressalta o economista norte-americano, Joseph Stiglitz
“A guerra do Iraque tem tido só dois vencedores:
as multinacionais petroleiras e as empresas de logística e infra-estrutura a
serviço da ocupação. O valor
das ações da Halliburton, a antiga empresa do
vice-presidente Dick Cheney, foi para a estratosfera”, afirmou Joseph Stiglitz,
professor de Economia da Universidade de Columbia, ressaltando que “como em 20
de março é a data do quinto aniversário da invasão ao Iraque encabeçada pelos
Estados Unidos, é hora de fazer um balanço do ocorrido”.
O economista norte-americano mostrou que Bush
mentiu ao mundo e ao seu país sobre os custos da invasão. “Disse que a guerra
custaria 50 bilhões de dólares, mas os EUA estão gastando essa quantidade cada
três meses. Se situarmos esse valor em seu contexto, acontece que com uma sexta
parte do custo da guerra, o país poderia construir uma base econômica sólida
para seu sistema de seguridade social durante mais de meio século, sem reduzir
os serviços nem aumentar as contribuições”, precisou.
VIETNÃ
Stiglitz
constatou que o custo das operações militares norte-americanas – sem considerar
os gastos a longo prazo, como a atenção à saúde dos ex-combatentes – supera já
os custos da guerra do Vietnã, que durou 12 anos, e representa mais do dobro do
que custou a guerra da Coréia.
“O governo Bush reduziu os impostos aos ricos ao
mesmo tempo que se lançava à guerra, apesar de ter um déficit orçamentário. Em
consequência, recorreu a um excesso de gasto público – em grande parte
financiado desde o estrangeiro – para pagar a guerra”, assinalou, registrando
que “a dívida nacional norte-americana, que era de 5,7 trilhões de dólares
quando Bush chegou à presidência, foi acrescida de dois trilhões por causa da
guerra [atualmente a dívida é de US$ 9,13 trilhões e deve ultrapassar os 10
trilhões quando Bush deixar a Casa Branca]”.
Para driblar o grande descontentamento com a sua
política belicista, a Casa Branca tem tentado ocultar as informações sobre a
guerra. “Os grupos de veteranos recorreram à Lei de Liberdade de Informação
para descobrir o número total de feridos: 15 vezes mais que o de vítimas
mortais. Já há 52.000 veteranos de regresso para casa que tiveram diagnósticada
a síndrome de tensão postraumática”, assegurou, enfatizando que os Estados
Unidos terão que pagar indenizações por invalidez a 40%, aproximadamente, dos
1,65 milhões de soldados que, no conjunto, já participaram da invasão. “A conta
pela atenção de saúde e invalidez chega já a mais de 600 bilhões”, revelou,
independentemente que este governo não se disponha a arcar com as suas
responsabilidades.
Stiglitz, que recebeu o prêmio Nobel de Economia
em 2001, se refere ao uso de mercenários que não resultam nem um pouco baratos,
denunciando que “um guarda de segurança da empresa Blackwater Security, por
exemplo, pode custar mais de 1.000 dólares ao dia, sem contar o seguro de vida e
invalidez, que deveria ser pago pelo governo”.
Porém, quem arca com o maior custo desta guerra
é o Iraque. “A metade de seus médicos resultaram mortos ou tiveram que abandonar
o país, o desemprego representa 25% e, cinco anos depois do começo da guerra,
Bagdá tem menos de oito horas de eletricidade ao dia”, declarou. Dos 28 milhões
de habitantes que compõem a população total do Iraque, quatro milhões tiveram
que abandonar seus lares e dois milhões saíram do país.
CUSTOS
“Quando tantas pessoas no Iraque sofrem tanto de
tantas formas, pode parecer uma demonstração de insensibilidade examinar os
custos econômicos e pode parecer particularmente egocêntrico centrar a atenção
nos custos econômicos para os Estados Unidos, que se lançou nesta guerra
violando o direito internacional, mas trata-se de custos econômicos enormes e
eles representam muito mais que desembolsos orçamentários”, ponderou o
professor, advertindo que os EUA pagarão seu preço por décadas pela frente.
Joseph Stiglitz, junto com Linda Bilmes, uma
especialista em orçamentos da Universidade de Harvard, com o objetivo de
desmascarar as mentiras do governo de George W. Bush, fizeram um estudo do
verdadeiro custo a que pode chegar a invasão, material divulgado no livro “The
Trillion Dollar War” (A guerra de 3 trilhões de dólares, referindo-se a uma
projeção feita pelos autores do livro para o custo com a invasão caso ela se
estendesse até 2017). “Afinal, Bush mentiu sobre tudo: desde as armas de
destruição em massa de Sadam Hussein, até sua suposta – e inexistente –
vinculação com Al Qaeda. De fato, dó depois da invasão é que o Iraque passou a
ser caldo de cultivo para terroristas”, disseram. A conclusão a que chegaram é
que a invasão ao Iraque pode acabar sendo 60 vezes mais caro do que disse Bush.
SUSANA SANTOS |