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Equador vai investigar o uso da base de Manta pelos EUA
para invadir o país
A
Assembléia Constituinte equatoriana anunciou, na terça-feira, dia 11, que
realizará uma auditoria na base militar de Manta, operada pelos Estados
Unidos, diante dos indícios mostrando que houve sustentação ao ataque
colombiano contra o acampamento que servia de abrigo às Forças Armadas
Revolucionarias da Colômbia, FARC, no Equador, a partir da base.
“A Comissão de Soberania fará uma auditoria à base de Manta porque é
indispensável esclarecer se saíram aviões norte-americanos desde nosso
próprio território para apoiar esta invasão”, assinalou, em entrevista ao
canal Ecuavisa, o vice-presidente da Assembléia, Fernando Cordero.
O ministro equatoriano de Defesa, Wellington Sandoval, já tinha
informado, no dia 6 de março, que a Colômbia utilizou armas norte-americanas
para atacar o acampamento onde as FARC se abrigavam. Segundo Sandoval, as
armas utilizadas são como as denominadas “smart bombs” (bombas inteligentes)
de fabricação norte-americana.
O ministro afirmou que “no local lançaram por volta de cinco bombas. Em
um diâmetro não maior que cinqüenta metros estavam as cinco bombas, (que
caíram) de noite, com uma precisão impressionante”. As declarações de
Welling-ton Sandoval foram feitas ao Canal Uno e reproduzidas por jornais
colombianos.
O coronel equatoriano da reserva, Patrício Aro, declarou que armamentos
sofisticados desse tipo estão disponíveis também na base norte-americana de
Três Esquinas, implantada na Colômbia. A investigação da Assembléia
equatoriana desvendará o uso dado aos equipamentos que o Pentágono mantém no
país.
CIA
Localizada no porto pesqueiro de Manta, no sudoeste do Equador, a
base aérea é utilizada por militares dos Estados Unidos com o pretexto de
interceptar vôos do narco-tráfico. Foi montada após um convênio de 10 anos
que expira em 2009 e que foi assinado em 1998 pelo então presidente Jamil
Mahuad. Localizada a 20 minutos de vôo de zonas candentes do conflito
colombiano, está sob a responsabilidade da empresa DynCorp, que possui
diversos contratos com a CIA. A base está equipada com grandes jatos E-3
Awacs, caças F-16 e F-15 Eagle, que podem controlar a região Amazônica, o
Canal do Panamá e a América Central, conforme divulgado pela Rádio Nacional
.
O presidente Rafael Correa assegurou que a licença de
funcionamento da base não será renovada. “Vamos renovar a base com uma
condição: que eles nos deixem colocar uma base em Miami -uma base
equatoriana”, disse em entrevista durante visita à Itália. “Se não houver
problemas em ter soldados estrangeiros no solo de um país, certamente eles
nos deixarão ter uma base equatoriana nos Estados Unidos”, ironizou.
O vice-presidente da Assembléia Constituinte comunicou que
conjuntamente com a auditoria à base de Manta, a Procuradoria investigará a
invasão colombiana porque “houve assassinatos nos quais há que determinar
autores, cúmplices e encobridores”.
Em Santiago do Chile, onde se encontrava em visita oficial, Rafael Correa
declarou que o Equador restabelecerá este mês suas relações diplomáticas com
a Colômbia, embora se mantenha a desconfiança após a crise pela ilegal
entrada militar colombiana em seu território. Acrescentou que foi muito
positiva a solução dada pelo encontro do Grupo do Rio ao problema, mas
enquanto ele seja presidente, será difícil restituir na totalidade a
confiança com o governo de Álvaro Uribe, com quem discutia com freqüência os
problemas da região. |