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Fed anuncia
US$ 200 bilhões para bancos à beira da falência
Na véspera
do pacote do BC dos EUA, uma queda geral varreu as ações de grandes bancos e
corretoras na bolsa de Nova Iorque, após notícias sobre quebra de fundos de
hedge e mais rombos nos balanços dos maiores bancos no final de março
Com a mesma urgência com que decretou
no meio de um feriado, em janeiro, a maior redução de juros nos EUA em 25
anos, o Federal Reserve anunciou na terça-feira dia 11 de março inusitada
operação de troca de US$ 200 bilhões de dólares dos contribuintes por papéis
de hipoteca bichados em poder dos maiores bancos e corretoras dos EUA, que
ninguém quer. Na véspera, no que foi descrito por um articulista do jornal
inglês “Financial Times” como “os dominós de Wall Street tombam na rua
principal”, uma derrubada geral varreu as ações dos maiores bancos e
corretoras dos EUA na bolsa de Nova Iorque, após sucessivas notícias da
quebra de fundos de hedge, mais rombos nos balanços dos maiores bancos e
corretoras ao final do primeiro trimestre do ano, agora em março, e, para
culminar, “rumores” de que a quinta maior corretora do país, a Bear and
Stearns, estava insolvente, após ter mais fundos rebaixados pela agência de
“classificação” de riscos, Moody’s. A operação do Fed será feita através de
leilões semanais, com os bancos e corretoras com água no nariz deixando como
“garantia” os papéis bichados. Como esses empréstimos serão de 28 dias, os
bancos mais arrombados terão certo alívio em relação ao sufoco do
“overnight”. Naturalmente, no caso, nem os bancos e corretoras, nem sua
mídia, protestaram contra o “socorro”, nem exigiram o “estado mínimo”.
NOTÍCIAS
RUINS
Foi uma enxurrada de notícias ruins para os
especuladores. O Carlyle Group, nada menos que o complexo empresarial de
Bush Pai & Associados, reconheceu que um dos seus fundos de hedge estava
quebrado. Na Holanda, foi inclusive suspenso na bolsa. O Citibank – que
deverá ter rombo de US$ 9 bilhões no 1º trimestre – comunicou a quebra de
seis de seus fundos de hedge, o que lhe custará mais US$ 1 bilhão. Um dos
vinte fundos premiados com o prêmio EuroHedge em janeiro em Londres, o
Peloton Partners, cinco semanas depois, foi à lona. Sorte semelhante tiveram
o Sailfish Capital Partners, o Drake Management, o Global Oportunities e o
Blue River Asset. As caixas imobiliárias Fannie Mae e Freddie Mac (ligadas
ao governo) informaram um prejuízo somado de US$ 6,1 bilhões no último
trimestre de 2007. Empresa especializada na avaliação de derivativos
registrou que os títulos hipotecários AAA emitidos no primeiro semestre de
2007 só valem agora 53% do valor de face – contra 71% do último dia do ano
passado, e 100% de antes da crise.
Como assinalou o Washington Post, os bancos e
corretoras estavam raspando esses fundos, para se manter à tona. “O
verdadeiro problema começou no final de fevereiro, quando vários dos maiores
bancos de investimentos de Wall Street se prepararam para fechar seus
balanços para o trimestre” e perceberam que não apenas estavam tendo
“grandes quedas nos lucros”, mas também diante de “novo round de baixas
contábeis nos seus ativos”. Passaram, então, a pressionar os fundos de hedge
para receber maiores margens, o que começou “uma reação em cadeia”, com
estes “vendendo o que podiam” – títulos de hipoteca – para levantar
dinheiro. O que levou a novas baixas.
LADEIRA
ABAIXO
Na bolsa, nesse dia, as ações da Bear desabaram
11%; as da Lehman Brothers encolheram 7,4%; as do Citibank caíram mais 5,7%;
as do Bank of América e as da Merryl Linch, a maior corretora do país,
tiveram queda de 3,9 % cada, a segunda maior, a Goldman Sachs, menos 2,8%.
As duas maiores seguradoras de títulos hipotecários do mundo, a Ambac e a
MBIA, perderam respectivamente 23,2% e 10,1%. A filantropia de Mr. Bernanke
causou euforia em Wall Street na terça-feira, para no dia seguinte, a
prostração voltar.
De acordo com a Moody’s, o preço médio das casas
caiu 9% no ano passado – embora haja quedas bem maiores, até 40%. 8,8
milhões de pessoas – 17% do total – têm hipotecas que superam o valor da
casa. Nessa análise, se o preço das casas sofrer nova queda de 10%, esse
número quase dobrará, para 14 milhões de pessoas. Muita gente desistiu e
simplesmente entregou as chaves ao banco ou agente hipotecário. Foi criada
até uma nova palavra para descrever a devolução via internet: “jingle-mail”.
Há em Wall Street quem tema que uma “tsunami de jingle-mail” cause de “US$ 1
trilhão a 2 trilhões de perdas”.
Assim, desde agosto, já explodiu a especulação
com as hipotecas; depois os derivativos usados para “colateralizar” a
pirâmide; então os seguros às municipalidades; e, agora, são os fundos de
hedge que estão fazendo água. Ou, nas palavras da revista inglesa “The
Economist”, “os mercados de crédito quase se estrangularam em agosto,
dezembro e novamente este mês, e em cada ocasião” – a propósito, a
apresentação do balanço – o Fed “levou a cabo uma tentativa de resgate”.
Relativizando a euforia do dia seguinte ao anúncio do dinheiroduto, a
revista observou que “o problema é que, toda a vez que o Fed apaga as chamas
em algum lugar do mercado de crédito, elas logo espocam mais adiante”.
ANTONIO PIMENTA |