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Paula
Beiguelman resgata “esforço exemplar e coerência intelectual e moral” de Toledo
Nas palavras
de Paula Beiguelman, 1ª vice-presidente do Sindicato dos Escritores e professora
emérita do Departamento de Ciência Política da USP, a homenagem de lideranças
políticas, sindicais e estudantis, intelectuais, amigos e familiares a Luiz
Toledo Machado:
“Estamos
reunidos esta noite para homenagear o ilustre intelectual Luiz Toledo Machado,
professor universitário no Brasil e no exterior, escritor e jornalista, fundador
do nosso Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo.
Como todos
sabem, o Professor Toledo Machado tem formação acadêmica em Literatura e Ciência
Política.
Na área de
Letras, publicou diversos ensaios, com destaque para o dedicado ao escritor
Alcântara Machado. Mais recentemente, voltando-se também para a ficção, publicou
em 1998 o excelente romance “Cavalo do Tempo”, cujo festivo lançamento foi
realizado neste recinto do Sindicato dos Jornalistas, onde nos encontramos.
Na área de
Ciência Política, escreveu inicialmente “Conceito de Nacionalismo”, livro
fundamental editado em 1960. A essa obra seguiu-se, em 1980, “Formação do Brasil
e Unidade Nacional”. A Amável oferta desse trabalho, que li com a maior atenção,
marcou o início de nossa amizade intelectual e política.
Mais
recentemente, como é sabido, foram editados outros livros dele igualmente
importantes, como “O Preço do Futuro” e “Concepções Políticas do Estado e da
Questão Nacional dos Séculos 19 e 20”, entre outros.
Além dessas
obras, Toledo Machado publicou na imprensa, na condição de jornalista, inúmeros
artigos de acompanhamento e análise dos problemas referentes à questão nacional.
Sempre me pareceu que seria o caso de reunir os artigos em livro.
O nosso
homenageado tem uma biografia rica e coerente de lutas em defesa da cultura e da
identidade nacional. A União Brasileira de Escritores, o Sindicato dos
Escritores e as entidades artísticas em geral, conhecem sua atividade no
estímulo à criação literária e das demais artes. No caso específico da
literatura, é notório seu esforço com vistas à criação de um fórum no qual os
escritores, além de defendidos nos seus direitos, possam, como setor
especialmente consciente, manifestar-se perante o País.
No plano
sócio-econômico e político, encontramos registrada a presença atuante de Toledo
Machado desde cedo, já na campanha “O petróleo é nosso”; e nos anos
subseqüentes, dando apoio à Frente Parlamentar Nacionalista. Integrou também a
Frente Nacionalista, lançada em abril de 1981.
Nos anos 90,
fundou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas, o INEP, para promover
análises sobre a temática nacional. Com o prestígio que sempre se angariou,
Toledo Machado conseguiu reunir no INEP um expressivo grupo de patriotas da mais
alta competência técnica, sendo que de um dos ciclos de palestras organizados
pela entidade resultou a coletânea intitulada Debate Nacional. Tive a honra de
ser convidada pelo nosso homenageado para escrever a orelha da publicação, o que
aceitei, ciente da responsabilidade.
Constituída em
1995 a Frente de Defesa da Soberania e Integridade do Brasil, que contou com o
imediato apoio de Barbosa Lima Sobrinho, Toledo Machado a integrou, tornando-se
presidente do seu setor paulista. A partir de então, a sua energia intelectual
passou a se canalizar para a luta contra o neoliberalismo que vitima e sufoca
nossa Pátria.
Em agosto de
2002, convidado a participar de um seminário promovido pela Comissão de Relações
Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, Toledo Machado
terminava assim a sua exposição: “Fundamentalmente, o desenvolvimento econômico
brasileiro não poderá continuar dependendo do financiamento externo, do capital
especulativo, do modelo de mercado. Bloquear as condicionalidades externas e as
internas constitui pressuposto básico para a nossa sobrevivência através de um
projeto efetivamente nacional”.
Eleito o
presidente Lula, Toledo Machado passa a integrar a Articulação Nacionalista, da
qual a Frente Parlamentar em Defesa do Brasil era parte constituinte, mas que
incorporava outros setores da vida brasileira, não parlamentares.
Em carta ao
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a entidade lhe recomendava uma série de
medidas, das quais destacamos, a título de exemplo: cessar a política
entreguista e perdulária, não se admitindo a privatização de setores
fundamentais da economia nacional; não aceitar os termos de acordo a respeito da
base de Alcântara , no Maranhão, o que significaria perda da soberania
brasileira sobre parte de nosso território; retomar o controle da Vale do Rio
Doce, que detém boa parte do subsolo e conseqüente servidão de imenso território
na Amazônia.
Para finalizar,
citarei um pequeno trecho do texto de Toledo Machado, intitulado “No fio da
navalha”. Ali se lê: “Continuar na rota liberal-monetária será um suicídio
anunciado a curto prazo. O Brasil ostenta condições de superar a crise com
recursos próprios, a começar pela reformulação do Estado privatizado, pelo
saneamento do mercado e pela instituição do necessário controle cambial. O
problema está na formulação de uma estratégia para sair da armadilha da
dependência externa”.
E essa
estratégia, acrescento por minha conta, compreende a aglutinação das forças
nacionais e populares, para resistir à chantagem do “mercado”, que vem sendo
praticada sobre o governo. Mesmo porque, da intolerável submissão em nome da
conquista da confiança, decorre um conseqüente desgaste, tanto econômico como
político.
A trajetória
militante do professor Luiz Toledo Machado é sobejamente conhecida de todos os
presentes à nossa reunião desta noite, cujo objetivo é prestar uma justa
homenagem a esse homem de muitos amigos, pelo seu esforço exemplar e pela sua
coerência intelectual e moral.
Por isso não me
estendo mais. E também porque certamente os professores e escritores Nilson
Araújo, Paulo Cannabrava e Fernando Jorge, entre outros amigos, terão muito a
acrescentar.
Obrigada.” |