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Manifestações em defesa da Cesp se ampliam para barrar a privatização
Atos serão
realizados diariamente em SP até a data do leilão, culminando em uma grande
manifestação em defesa da estatal de energia
Deputados
estaduais de São Paulo e do Mato Grosso do Sul, prefeitos, vereadores, centrais
sindicais, representantes de sindicatos e de entidades estudantis lotaram
auditório da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo em ato público
realizado na última quinta-feira (13) contra a privatização da Cesp, marcada
pelo governo do Estado para o dia 26.
“Não tem
motivo racional para o Estado abrir mão de um ativo tão importante como é a
geração de energia elétrica. Abrir mão de uma empresa que foi construída ao
longo desses últimos anos, com o esforço do nosso povo, com o esforço dos
governos, com esforços públicos”, afirmou o deputado Simão Pedro, líder do PT na
Assembléia, durante o ato organizado pela bancada do PT e pelo Comitê contra a
Privatização da Cesp.
Os deputados
do PT anunciaram que vão entrar na Justiça com uma Ação Popular pedindo a
suspensão do leilão. De acordo com a assessoria da liderança do PT, a ação terá
como base a ilegalidade da alienação das ações do Metrô, Sabesp, Dersa, DAEE e
CPP, que integram o capital social da Cesp.
“A pretexto de
privatizar a Cesp, para a qual detém a prévia autorização legislativa, o
governador está promovendo a privatização parcial de outras empresas, como é o
caso do Metrô”, disse o deputado Simão Pedro. “A lei que autorizou a
privatização da Cesp não tratou da alienação da participação acionária do Metrô.
Alienar ativos do Metrô é alienar indiretamente ativos do Estado e essas ações
não podem ser privatizadas sem prévia autorização dos deputados”, completou.
A Cesp é a
terceira maior geradora de energia do país que, com suas seis usinas
hidrelétricas, possui 7.455 MW de potência instalada. Possui ativos avaliados
pelos próprios privatistas em US$ 10,8 bilhões (R$ 18,079 bilhões na cotação do
dia 12). Apenas uma de suas usinas, a de Porto Primavera, tem R$ 12 bilhões em
ativos. Avaliada pelo consórcio liderado pelo Citibank, a estatal teve seu
“preço” de venda determinado pelo governo do Estado em R$ 6,6 bilhões.
Das cinco
empresas que se habilitaram para participar do leilão, quatro são estrangeiras:
Suez (franco-belga), Alcoa (norte-americana), EDP (portuguesa) e Neonergia
(espanhola); além da CPFL privatizada.
O
Comitê definiu uma agenda de mobilizações com as entidades sindicais e
estudantis, a convocação de sindicatos, prefeitos, cidadãos para ingressarem com
mais ações na Justiça pedindo a suspensão do leilão.
A delegação do
Mato Grosso do Sul defendeu intervenção do governo federal para impedir a
entrega da Cesp. O Ilumina, Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor
Energético, deixou à disposição estudos e pesquisas que demonstram que a
privatização não é a solução para o setor no país.
“Com a unidade
nós conseguimos muitas coisas. A unidade das centrais sindicais já nos garantiu
muitas conquistas. Com unidade nós conseguiremos também barrar essa
privatização”, lembrou Antônio Carlos dos Reis (Salim), presidente do Sindicato
dos Eletricitários de São Paulo.
Como destacou
Ubiraci Dantas de Oliveira, vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores
do Brasil (CGTB), “nós, o povo brasileiro, sabemos que privatização é mais
apagão, é encarecimento das tarifas públicas, é piorar os serviços públicos e
desnacionalizar o nosso patrimônio. Por isso, a CGTB está todos os dias com o
nosso caminhão, junto com os comerciários, junto com os eletricitários, junto
com os companheiros da UGT, da CUT, para barrar essa privatização. A vontade do
nosso povo é maior do que a vontade de meia dúzia de entreguistas”.
Artur
Henrique Santos, presidente da CUT, denunciou que “o aumento descarado da
terceirização de atividades fim é uma realidade em todos os estados em que houve
a privatização. E também as conseqüências para o bolso do cidadão, com aumento
da tarifa, e queda da qualidade do serviço”.
MARIANA
MOURA |