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Campanha para impedir leilão ganha as ruas de São Paulo
A campanha
contra a privatização da Cesp ganhou as ruas, e a partir desta segunda (17)
as manifestações são diárias. Na sexta (14), centrais sindicais (CUT, CGTB,
UGT e CTB), Apeoesp, SindSaúde, a FMP, as entidades estudantis UNE, UBES,
UPES e UMES, e outras entidades do movimento popular, realizaram manifestação
na Praça da República, na região central da capital paulista.
O
vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci
Dantas de Oliveira (Bira), afirmou que o movimento em defesa da Cesp vai
permanecer nas ruas e barrar o leilão. “O povo brasileiro já passou por essa
experiência. Nas privatizações da Cosipa, da Açominas, da Usiminas, da Vale
do Rio Doce, rolou sangue de nossos companheiros nas bolsas de valores de
São Paulo, Rio e Minas para que a gente pudesse denunciar à população qual a
intenção daqueles que preconizavam o desmonte do Estado. O resultado do
enfrentamento foi que o povo brasileiro identificou, nas eleições de 2002 e
2006, quem estava do seu lado e quem estava contra”, disse.
“Nós
tivemos, na semana passada, um grande apagão na cidade de São Paulo. E por
que tivemos um grande apagão? Porque as empresas que fazem o serviço de
energia elétrica foram privatizadas. E os dirigentes dessas empresas ainda
dizem que não aconteceu nada. Mais de 700 mil pessoas ficaram sem energia
elétrica”, frisou o vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e
presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Antonio Carlos dos
Reis (Salim).
A
presidente da Federação das Mulheres Paulistas (FMP), Lídia Correa, destacou
que as privatizações no setor elétrico significaram tarifas abusivas, queda
na qualidade dos serviços e aumento das remessas de lucro para o exterior:
“Quando essas empresas eram públicas, as tarifas eram baixas e hoje tem um
peso muito grande no orçamento doméstico. Os apagões se proliferam pelas
ruas de São Paulo, principalmente na periferia. As multinacionais que
tomaram as empresas de energia não fazem manutenção, mas são rápidos na hora
de cortar a luz da população, principalmente dos mais pobres”.
“Os
privatistas perderam as eleições presidenciais e estão refugiados no Palácio
Bandeirantes. O alvo deles agora é entregar a Cesp para os monopólios
estrangeiros. Não vamos permitir esse retrocesso, pois a privatização
significa desnacionalização, tarifas extorsivas e apagão. Os estudantes vão
continuar nas ruas, juntamente com as demais entidades, para barrar a
privatização”, ressaltou o 1º tesoureiro da União Nacional dos Estudantes
(UNE), Gabriel Alves.
Segundo a
presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES), Michelle
Bressan, “o movimento estudantil se unifica na luta por um ensino público de
qualidade e também em defesa das estatais. O governo Serra e seus aliados do
Demo fizeram um pacote de 18 estatais com o objetivo de privatizá-las, como
a Cesp, Sabesp e o Metrô. Não vamos nos calar diante do sucateamento da
educação e da privatização da Cesp”.
As
manifestações contra a privatização da Cesp ocorrem em diferentes pontos da
cidade de São Paulo. Na segunda (17), no Largo 13 de Maio, um dos locais de
maior concentração na Zona Sul; na terça (18), na usina Piratininga, nos
arredores da Capital; quarta (19), no metrô Corinthians Itaquera, Zona
Leste, uma das estações de maior circulação; quinta (20), no Mercadão da
Lapa, na Zona Oeste; sábado (22), na Praça da Sé; terça-feira (25), vigília
dos estudantes na Bovespa; quarta (26), grande manifestação da Bovespa, a
partir das 9 horas. |