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Copom advoga subida dos juros e empresários e economistas condenam
Em ata divulgada na semana passada, o Banco
Central afirma que foi debatida a elevação da Selic na última reunião do Comitê
de Política Monetária (Copom). No final, a taxa básica de juros foi mantida em
11,25% ao ano, pela quarta vez consecutiva. Só isso já bastou para recolocar o
Brasil na dianteira dos juros reais mais altos do mundo.
Diz a ata: “O Comitê discutiu a opção de
realizar, neste momento, um ajuste na taxa básica de juros. Um ajuste da taxa
básica de juros contribuiria para reforçar a ancoragem das expectativas, não
apenas para 2008, mas também no médio prazo, e para reduzir o descompasso entre
as trajetórias da demanda e oferta agregadas”.
A proposição do BC provocou reações imediatas em
vários setores. Para o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
Marcio Pochmann, o aumento dos juros significa “matar a sustentabilidade” do
crescimento que ora se verifica. “O investimento é a melhor política
antiinflacionária que temos”, frisou o economista. Ele avalia que a elevação dos
juros irá atrair mais capital estrangeiro, jogando a cotação do dólar mais para
baixo. “Significará menos empregos”, completou.
O gerente-executivo de Política Econômica da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flavio Castelo Branco disse que “o
importante é que o investimento está correndo na frente da demanda. E o grau de
utilização da capacidade tem se mantido estável, o que significa que a produção
é maior, mas o investimento acompanha. Não há indicações de que a inflação vá se
desgarrar da meta”.
O economista-chefe da Confederação Nacional do
Comércio (CNC), Carlos Thadeu Freitas, considera que a alta dos juros vai
transformar inócua a cobrança de 1,5% de Imposto sobre Operações Financeiras
(IOF) na entrada de capital estrangeiro para “aplicações” de renda fixa,
principalmente títulos públicos. “Por causa da ata, o juro futuro subiu, essa
taxação de 1,5% do IOF já foi compensada e os investimentos vão continuar
ingressando”.
O economista e deputado Delfim Netto destacou
que o BC, ao colocar na ata a discussão sobre aumento dos juros, atiçou o
apetite dos especuladores. “Já que o juro vai subir mesmo, o juro sobe antes”,
ressaltou. “Na economia, a expectativa faz o fato”.
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