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Servidores federais conquistam Plano de Carreira e aumento digno
Durante reunião com sindicalistas, governo anuncia reajustes de 10,2% a 137,28%
para cerca de 800 mil servidores de todo o país e garante: acordos salariais
serão cumpridos
Em audiência com os representantes sindicais do
funcionalismo público federal, na quinta-feira (13), o governo anunciou que
cerca de 800 mil servidores da União vão ter os planos de carreira
reestruturados com um aumento de 10,2% a 137,28%, a serem implementados em
parcelas, a partir deste mês até 2011. O ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, anunciou que a medida provisória reajustando a remuneração de pelo
menos 10 categorias de servidores civis do Poder Executivo, será encaminhada à
Câmara, nesta semana.
Segundo o ministro, os reajustes nas despesas de pessoal da
União, em 2008, que será de R$ 2,1 bilhões a mais, já estão assegurados no
Orçamento aprovado pelo Congresso. Assim, os reajustes acertados na reunião são
parte de acordos salariais firmados pelo governo com os representantes dos
servidores – fechados antes de 13 de dezembro de 2007, dia em que o Senado
derrubou a CPMF e comprometeu aproximadamente R$ 40 bilhões das estimativas
orçamentárias. Como a oposição votou pelo fim da CPMF, o governo precisou sentar
novamente com as categorias para renegociar um novo cronograma de implementação
dos reajustes, que seriam dados no final de 2007 e em 2008. Com o
reescalonamento, o prazo foi estendido até 2011.
Ao todo, dez categorias serão contempladas: professores das
instituições federais de ensino superior; servidores administrativos da Polícia
Federal, do Incra, do Hospital das Forças Armadas, do Ministério da Cultura, do
PGPE (Plano Geral de Cargos do Poder Executivo) e da Previdência Social, da
Saúde e do Trabalho; agentes de combate a endemias; fiscais federais
agropecuários e técnicos administrativos em educação.
De acordo com os percentuais que foram divulgados, alguns
servidores passarão a ganhar até o fim da aplicação do reajuste mais do que o
dobro do que recebem hoje. O salário dos servidores do PGPE, por exemplo, vai
variar entre 27,19% e 106,11%, dependendo do cargo. Já para os trabalhadores da
Previdência, da Saúde e do Trabalho, a variação será entre 37,25% e 137,28%.
Paulo Bernardo informou ainda que até a edição da MP,
outras categorias poderão ser incluídas, dependendo de negociações que ainda
estão em curso. Entre os servidores que já vinham negociando com o governo,
ficaram de fora da lista inicial da MP os da Receita Federal, Banco Central,
Advocacia Geral da União, Polícia Rodoviária Federal, Imprensa Nacional e os
médicos peritos da Previdência. Para o ministro, isso não será obstáculo, pois a
reserva incluída no Orçamento para esses reajustes chega a R$ 3,5 bilhões, mesmo
após o corte feito pelo Congresso no total destinado a gastos de pessoal da
União.
Para a presidente da Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS/CUT), Maria Aparecida Godói, “o
nivelamento da tabela salarial vem acompanhado de uma vitória histórica para a
categoria, ou seja, da incorporação da GAE (Gratificação de Atividade Executiva)
ao vencimento básico”. O termo de compromisso sobre o nivelamento de tabela dos
trabalhadores da Previdência, Saúde e do Trabalho (CPST), foi assinado durante
solenidade que também contou com a presença do ministro da Previdência Social,
Luiz Marinho e do secretário de Recursos Humanos, Duvanier Paiva.
Para Sérgio Ronaldo, diretor-executivo da Confederação dos
Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), que engloba parte das
categorias contempladas, o acordo é “uma grande vitória”. “Mas temos que
continuar o diálogo. Faltam outros servidores que ainda não fecharam acordo”,
frisou.
CONSOLIDAÇÃO
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT),
Artur Henrique, apontou que “os acordos vêm e conquistas históricas se
consolidam” neste novo cenário que se completará com a ratificação da Convenção
151, que garante o direito à negociação coletiva no serviço público. “A CUT já
tem um projeto para regulamentar a 151, prevendo a criação de grupos de
negociação com a participação de usuários, como forma de contribuir com o
trabalho dos servidores e auxiliar na gestão do Estado”, declarou.
RECUPERAÇÃO
De acordo com presidente da Central Geral dos
Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto, “este reajuste que vai
reestruturar os planos de carreiras e recuperar o poder aquisitivo dos
servidores federais, que foram duramente arrochados e perseguidos durante os
oito anos de Fernando Henrique, representa um grande conquista econômica e
social. E com a ratificação da Convenção 151, dentro do mais breve possível,
outras grandes vitórias virão”.
Paulo Bernardo destacou que os acordos finalizados devem
ser unificados em uma única medida provisória. “Nós estamos atentos à recusa dos
parlamentares ao excesso de MPs. Por isso estamos editando uma única e, se tiver
algum acordo adicional nesta semana, ele pode ser incluído também”, sublinhou.
PRAZOS
O ministro lembrou que todos os reajustes que já haviam
sido acordados foram mantidos. Mudaram, porém, os prazos para a implementação.
“Quando nós fizemos acordos, tínhamos alguns deles para vigorar em dezembro do
ano passado, e em janeiro a julho deste ano. Refizemos os programas de
implementação destes acordos, os prazos foram jogados todos para frente”,
acrescentou.
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