|

Com
uma assembléia que reuniu cerca de cinco mil pessoas na Praça da República, dia
14, a APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São
Paulo) deu a largada oficial à campanha salarial 2008. Os professores aprovaram
a pauta de reivindicações e a realização de uma ampla empreitada contra as
medidas impostas pela secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.
O eixo da campanha 2008 será “Contra as medidas de Serra; por emprego e salário;
em defesa da escola pública”.
“A
diretoria da APEOESP entregou a pauta de reivindicações no dia 21 de janeiro.
Nunca é demais lembrar que nossa data-base é 1º de março. Mas até o momento o
governo não acenou com qualquer proposta de negociação. Por isto vamos
pressioná-lo para que cumpra a data-base e nos apresente proposta de reajuste”,
comentou Carlos Ramiro de Castro, presidente da APEOESP.
Diante da insensibilidade do governo, a categoria aprovou, durante a assembléia,
um ultimato ao governador: se as reivindicações não forem atendidas até o dia 4
de abril, data da nova assembléia, os professores iniciam greve por tempo
indeterminado.
“Estamos entrando no quarto ano sem reajuste, nossos salários já perderam mais
de um terço do seu poder de compra. Demos um ultimato ao governo”, informou
Carlos Ramiro. Para o presidente da APEOESP, a mobilização da categoria é
imprescindível para se contrapor aos ataques do governo estadual: aulas aos
sábados, aprovação automática, demissão de centenas de professores, não
cumprimento da data-base, baixos salários, salas superlotadas, péssimas
condições de trabalho, investida contra a liberdade de cátedra e a autonomia das
escolas, falta de estrutura para combater a violência, retirada e diminuição de
disciplinas do currículo, entre outros.
A
assembléia realizada dia 14 deixou patente que a categoria não aceitará ser
responsabilizada pela destruição da rede provocada pela política educacional
deste governo. É claro e notório que o abandono da escola pública e a
desvalorização dos profissionais fazem parte de um projeto que objetiva
privatizar a rede pública de ensino. “Não podemos permitir que nossa rede de
ensino seja transformada em fábrica de mão-de-obra barata, tampouco vamos
aceitar a política privatista do PSDB”.
Contra as privatizações
Logo após a assembléia, os professores participaram, junto com representantes
de outras entidades e centrais sindicais, de um ato público contra as
privatizações promovidas pelo governo José Serra. Em leilão inicialmente
previsto para o dia 26 de março, o governo pretende entregar a Cesp (Companhia
Energética de São Paulo) de mão beijada ao grande capital internacional. As
conseqüências serão desastrosas para o povo paulista: aumento de tarifas,
desemprego de profissionais especializados, queda da qualidade de serviços. De
quebra, cede aos investidores estrangeiros o controle do multiuso da água, que
poderão cobrar altas taxas pela irrigação, saneamento básico e pelo transporte
fluvial da hidrovia Tietê-Paraná.
As
entidades convocaram um ato público unificado contra a privatização da Cesp no
próximo dia 26 de março, às 8 horas, no Largo de São Bento. |