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Governo da Colômbia recompensa autor de assassinato
a sangue frio
A decisão
do governo de Álvaro Uribe de pagar cinco bilhões de pesos ( 2,6 milhões de
dólares) a Pablo Montoya, conhecido como “Rojas”, o sicário que assassinou
Iván Ríos, membro do secretariado das Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia, FARC, significa o estabelecimento ilegal da pena de morte,
assegurou o ex-presidente da Corte Suprema de Justiça desse país, José
Gregorio Hernández Galindo.
“Desde o
ponto de vista ético, é incompreensível e inaceitável, porque em nosso país
não existe a pena de morte e, neste caso, se paga por um crime”, afirmou
Galindo, acrescentando que “a Promotoria, seguramente mandada pelo
Executivo, inventou que não abrirá processo penal por homicídio porque
considera que Montoya atuou sob pressão e medo insuperável. Medo do que,
gostaria de saber, se o guerrilheiro se encontrava dormindo?”.
Na semana
passada, o ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, declarou à
imprensa que não pagar a recompensa ao assassino de Ríos debilitaria a
estratégia de informação em troca de dinheiro, uma das formas da “Política
de Segurança Democrática”, projeto que o atual governo mostra como exemplo
de eficiência. “O governo confunde informação com vale tudo. Não houve
nenhuma informação houve assassinato, tiro no escuro enquanto as pessoas
dormiam”, frisou o jurista. “Rojas” assassinou Iván Ríos e sua mulher,
conhecida como “Andrea”, enquanto dormiam, informou o jornal El Tiempo.
Por
entregar às autoridades a mão direita do líder rebelde e depois seu corpo
mutilado, o governo decidiu pagar a vultuosa recompensa “que envergonha a
Constituição deste país”, considerou Hernán-dez Galindo.
Hernández
qualificou como “inaceitável” que o Estado colombiano legalize o
assassinato.
Jairo
Ramírez, representante do Comitê Permanente de Direitos Humanos da Colômbia,
considera que, “longe de salvaguardar a segurança dos colombianos, o Governo
estimula a violência institucional e a morte em massa”.
“Não nos
estranha que um Estado como esse, que tem estimulado a violência
institucional, onde ocorreram 70 mil assassinatos políticos, desapa-rições,
massacres, execuções extrajudiciais, pague pelo crime; isso demonstra que o
governo colombiano está a serviço do que há de pior”, concluiu Jairo. |