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Bancada do PT-SP e CGTB ajuízam ação contra privatização da CESP
Ações populares
na Justiça defendem a suspensão do leilão marcado para o dia 26
Três ações foram ajuizadas nesta semana para
suspender o leilão de privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp),
marcado para o dia 26 na Bovespa. A bancada do PT na Assembléia Legislativa
paulista e o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB),
Antonio Neto, entraram com ação popular com pedido de liminar na Vara da Fazenda
Pública Estadual e o PSOL, com ação direta de inconstitucionalidade no Supremo
Tribunal Federal (STF).
Segundo a ação dos deputados petistas, o leilão
incorre em “vício de forma”, uma vez que “não foi observada completamente
formalidade indispensável à existência e seriedade do ato, a saber, a prévia
autorização da Assembléia Legislativa para ‘privatização’ (vale dizer, alienação
de ações), ainda que parcial, do Metrô, Sabesp e demais empresas estatais
paulistas que detêm participações acionárias junto ao capital social da Cesp”.
Em entrevista ao HP, o deputado Roberto Felício,
líder da bancada, disse que foi constatado “uma evidente afronta à Constituição
Estadual. Metrô, Sabesp, Dersa, DAEE e CPP estão fora do Programa Estadual de
Desestatização. O governo Serra ao vender ações dessas empresas, estará vendendo
seus patrimônios”.
“Nós somos contra a privatização, ainda mais
pelo que representa a Cesp, uma das maiores responsáveis pelo desenvolvimento da
matriz energética do país. A Cesp é um exemplo claro da eficiência do Estado”,
frisou Felício.
LESIVO
Na ação impetrada na Vara da Fazenda, o líder
sindical Antonio Neto afirma que o edital de privatização da Cesp “é ilegal e
lesivo ao patrimônio público”. Para o presidente da CGTB, “como se pretende
vender cerca de 133 milhões de ações, estabeleceu-se o preço mínimo de
aproximadamente R$ 6,6 bilhões”, quando “os próprios avaliadores escolhidos, o
Citibank e Fator, estimaram o preço total em R$ 14 bilhões”. Diz Neto que
“considerando a média e a tendência do mercado, essas ações não valeriam menos
de R$ 60,00 por unidade”. No edital, o preço por unidade de ação foi estipulado
em R$ 49,75.
Neto cita um artigo recente do professor Helvio
Rech, mestre e doutorando em energia pela USP, segundo o qual “o custo para a
implantação de novas usinas hidrelétricas gira em torno de US$ 2.000,00 por KW
instalado. Assim, considerando a capacidade instalada de geração da empresa, as
ações controladas pelo governo paulista valem cerca de R$ 11,6 bilhões,
portanto, bem acima do valor mínimo colocado em oferta pelo governo do Estado,
em R$ 6,6 bilhões”.
De acordo com o professor, “caso se concretize a
venda da Cesp Paraná, os custos dessa transação recairão sobre o conjunto dos
consumidores de energia elétrica do país, pois não existe nenhuma restrição que
impeça os futuros controladores da empresa de transferir energia destinada ao
mercado cativo e regulado para o mercado livre, em que poderão auferir lucros
fabulosos”.
Em 5 de março, o Sindicato dos Engenheiros no
Estado de São Paulo entrou com representação no Ministério Público de São Paulo
contra o governo do Estado, denunciando que o leilão da Cesp causaria dano ao
patrimônio público, em razão do pedido de prorrogação do prazo de concessão por
mais 20 anos da usina Porto Primavera. Usando documentos obtidos junto à Agência
Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Sindicato demonstra que a não
prorrogação da concessão desta usina geraria aos cofres públicos estaduais a
quantia de R$ 12 bilhões. Esta prorrogação solicitada no início do ano foi
concedida no dia 18.
Na ação Neto também alega a
inconstitucionalidade do dispositivo que veda a participação no leilão de
empresas estatais estaduais, como Cemig e Copel. “Há fatos que denunciam a
subavaliação das ações da Cesp colocadas à venda pelo preço mínimo de R$ 49,75,
com sérios prejuízos ao patrimônio público, como ficou evidente a lesão ao
princípio constitucional da isonomia”, observa o sindicalista.
VALDO ALBUQUERQUE |