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No Senado, Amorim ressalta acerto de decisão
que respeita soberania
Falando sobre a crise entre a Colômbia e o
Equador, o ministro disse que “as grandes
decisões políticas foram tomadas, rechaçando a
violação à integridade territorial do Equador”
“Verificou-se
um ataque, por forças da Colômbia, a
guerrilheiros das FARC, que estavam em
território equatoriano e isso abriu,
naturalmente, uma crise de proporções maiores do
que aquelas que nós estamos habituados a
assistir em relação a esse tema”, declarou o
chanceler Celso Amorim em reunião da Comissão de
Relações Exteriores do Senado, no último dia 12,
sobre a recente crise que envolveu os dois
países. “O aspecto que fez com que essa crise
fosse maior do que as anteriores foi o fato de o
ataque ter se dado no território de um
outro país, no caso, o Equador, o que levanta
não só questões políticas, mas até questões de
direito internacional” completou o ministro.
Para Amorim, “as grandes decisões políticas
(sobre o ataque) foram feitas e estão contidas
na declaração do Grupo do Rio”, já que ela
afirma “de maneira direta: Rechaçamos a violação
à integridade territorial do Equador e
reafirmamos o princípio de que o território do
Estado é inviolável e não pode ser objeto de
ocupação militar”, afirmou. O ministro
brasileiro destaca que a declaração “toma nota,
com satisfação, para as plenas desculpas que o
Presiden- te Álvaro Uribe ofereceu ao Governo e
ao povo do Equador pela violação do território”.
O chanceler brasileiro destacou também que “o
objetivo do Brasil é a paz, não é ficar
alimentando declarações em que as palavras vão
se inflamando e que podem acabar gerando algo
que seria intolerável e que criaria um problema
gravíssimo na nossa região”. Amorim afirmou que,
com esse propósito, “o pronunciamento do
Presidente Chávez (na reunião de presidentes)
teve um tom muito conciliatório”.
“O
Brasil não tem por hábito classificar as
organizações”, afirmou o ministro, respondendo
aos questionamentos dos senadores em relação ao
tratamento dado as Farc no Brasil. “A única
organização classificada como terrorista no
Brasil é a Al Qaeda, porque isso decorre de uma
resolução do Conselho de Segurança das Nações
Unidas. A verdade é que as FARC começaram como
um movimento claramente político. Eu acho que
você classificá-la previamente pode não ajudar
no esforço humanitário” afirmou.
“Não
desejamos o isolamento da Colômbia. Nós estamos
num esforço de integração da América do Sul,
parte desse esforço é a União das Nações
Sul-Americanas. Nós sentimos que do ponto de
vista da unidade Sul-Americana, a
Colômbia tendia a ficar em um certo isolamento,
então, nós fizemos questão e continuamos fazendo
questão de que a próxima reunião da UNASUL seja
na Colômbia”, declarou Amorim, enfatizando o
esforço que o Brasil vem fazendo em prol da
integração Sul-Americana.
Celso Amorim destacou que o Brasil “condena a
invasão do território, mas não condena o
assentimento do governo equatoriano com relação
às FARC. Porque o Governo equatoriano nega que
tenha feito isso”, afirma o ministro. Segundo
ele, “o gover- no equatoriano, diz que é uma
zona muito inóspita e, de fato, eles levaram
oito horas para chegar até o local do
acontecimento. Não cabe a mim justificar ou não
o governo equatoriano” completou Amorim.
“O
Presidente Chávez foi eleito pelo povo
venezuelano, da mesma maneira que o presidente
Uribe foi eleito pelo povo colombiano e da mesma
maneira que o Presidente Correa foi eleito pelo
povo equatoriano. Então, são realidades em
relação às quais as nossas simpatias e
preferências não devem contar tanto quanto a
necessidade de promover o diálogo”, completou o
ministro.
FERNANDA CALVI |