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O apagão de
José Serra e da mídia
ALTAMIRO
BORGES*
No início deste ano, a mídia venal fez o maior terrorismo sobre o risco de
um apagão energético no país. O alvo era o presidente Lula. Na seqüência,
choveu como é de costume nesta estação, os reservatórios voltaram ao normal,
a imprensa mudou de assunto sem fazer qualquer autocrítica e passou a tratar
de outro “risco iminente” - a febre amarela, que também era falso. Agora,
porém, a capital do estado mais rico do Brasil fica sem luz por várias horas
e a mesma mídia, sempre tão vigilante, não faz seu costumeiro escarcéu,
confirmando que o governador Serra é seu protegido.
Uma explosão na
subestação Bandeirante da Companhia Transmissora de Energia Elétrica
Paulista (CTEEP) deixou quase 3 milhões de famílias sem luz. O incidente
paralisou as estações do Metrô, desligou os semáforos da capital dos 6
milhões de automóveis e atingiu até o gerador do Hospital das Clínicas, o
maior da América Latina. José Serra quase não foi incomodado pela mídia
hegemônica, que também preferiu nada falar sobre os efeitos nefastos da
criminosa privatização da energia promovida pelos 13 anos de reinado tucano
em São Paulo.
DEMISSÕES E FALTA
DE INVESTIMENTOS
A CTEEP foi
leiloada no ano passado, sendo adquirida a preço de banana pelo grupo
colombiano ISA, um dos maiores do setor na América Latina. Segundo Antonio
Carlos dos Reis, o Salim, presidente do Sindicato dos Eletricitários de São
Paulo, a privatização foi desastrosa e explica o apagão energético na
capital. “A empresa privatizada reduziu o número de funcionários, de cerca
de 3.200 para 1.200. Nas subestações não há quase ninguém trabalhando. Com o
crescimento do PIB, a demanda de energia aumenta, mas não há investimentos
em infra-estrutura para suportar”.
Salim avalia que
devem ocorrer novos apagões, causando transtornos à população. Ele denuncia
que a multinacional não faz a manutenção preventiva dos equipamentos visando
reduzir custos. Diante destes graves fatos, critica o processo em curso de
privatização da Companhia de Energia de São Paulo (Cesp), a nova obsessão do
governador José Serra. Para ele, é falso o discurso dos neoliberais sobre a
maior eficiência do setor privado. “Quando a Eletropaulo era estatal,
ganhava prêmios de empresa com melhor serviço. Hoje, privatizada, fica em
décimo lugar no ranking”.
LEILÃO DA CESP E
SILÊNCIO MIDIÁTICO
Apesar destes
dados irretocáveis, os tucanos continuam com a sua sanha privatista. Está
marcado para 26 de março o leilão da Companhia Energética de São Paulo
(Cesp). Apenas cinco empresas - quatro delas multinacionais - participarão
da negociata. Outras oito que manifestaram interesse na geradora, inclusive
outras estatais, desistiram do leilão com críticas à falta de transparência
no processo. Já é tido como certo que a privatização causará demissões em
massa, aumento da tarifa de energia e piora na qualidade do serviço. Diante
deste risco, o Comitê Contra a Privatização da Cesp, que reúne várias
entidades, está convocando protestos e entrará com liminares na justiça.
A mídia venal, que
fez tanto alarde contra o hipotético apagão energético do governo Lula, nada
fala sobre os efeitos nefastos da criminosa privatização tucana nem das
manifestações contrárias da sociedade. De forma descarada, continua
blindando o governador José Serra, pavimentando o caminho para a campanha
presidencial do “vampiro”. O apagão energético da capital paulista e o
suspeito leilão da Cesp, porém, servem para desmascarar os neoliberais e a
sua mídia. É preciso muito “apagão mental” para confiar nesta gente.
* Altamiro
Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB e autor do livro “As
encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição). |