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Parentes das
vítimas do vôo da Gol querem que pilotos americanos deponham no Brasil
“Se
estivéssemos numa situação oposta, os brasileiros nem teriam saído dos EUA
antes de responder o inquérito, quanto mais não voltar”, disse Angelita De
Marchi, presidente da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo
1907, sobre a decisão do juiz federal da Vara de Sinop (MT), Murilo Mendes,
de permitir que os pilotos do Legacy prestem depoimento nos Estados Unidos.
A decisão foi tomada no último dia 13.
Os americanos
Joseph Lepore e Jan Paladino pilotavam o jato Legacy, que se chocou com o
avião da Gol em setembro de 2006 e vitimou 159 pessoas.
A principal
questão colocada pelos parentes das vítimas ao protestarem contra a decisão
judicial é que, segundo eles, no tratado de cooperação judiciária entre
Brasil e Estados Unidos, não há um prazo determinado para que os pilotos
norte-americanos respondam às perguntas enviadas pela Justiça brasileira
para o interrogatório.
“Lá, eles
podem levar um ano, dois, três, quatro, cinco, dez, quinze anos para
responder uma pergunta; se eles responderem, pois podem simplesmente dizer
que têm o direito de ficar calado”, disse Rosane Guhtjar, viúva de uma das
vítimas do acidente.
Para ela, “isso
vai contra tudo o que foi dito pelos magistrados até então, que não poderia
ser por videoconferência, porque a lei brasileira não permite. Aí a gente
deu jato, deu passagem, deu tudo o que eles pediram para vir aqui e eles não
vieram (à primeira audiência do processo, em agosto de 2007).”
O juiz Murilo
Mendes alega que a decisão tem como objetivo dar mais rapidez ao processo de
interrogatórios. A presidente da associação discorda. Segundo ela “a
burocracia envolvida no envio e retorno das perguntas e respostas vai
ocasionar um efeito contrário ao esperado”.
“Todo esse
trabalho vai tornar o processo mais moroso e a gente entende que isso veio a
colaborar com nada, muito pelo contrário; o que se esperava é que a Justiça
brasileira trouxesse os pilotos, que assinaram um compromisso de retornar ao
Brasil, de responder à Justiça brasileira e não fizeram”, diz Angelita.
A Associação de
Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo 1907 promete acionar o Ministério
Público (MP), representante dos parentes das vítimas no processo, para pedir
que a decisão de Mendes seja revogada e os pilotos tenham que vir ao Brasil. |