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Derrotada ação extorsiva da ExxonMobil contra a PDVSA
“Decidi que a ordem judicial” de congelar fundos ditada
em 24 de janeiro contra a empresa Petróleos de Venezuela, PDVSA, a pedido da
ExxonMobil “deve ser revogada”, determinou na terça-feira o juiz Paul
Walker, do Alto Tribunal da Inglaterra e Gales, instância à qual havia
recorrido a multinacional norte-americana para não respeitar a decisão do
governo de Hugo Chávez de retomar para o Estado o controle do petróleo do
país. A sentença tem efeito imediato.
Foi uma vitória definitiva sobre a tentativa de
fazer valer leis supranacionais em questões internas do país. Em Caracas, o
ministro de Energia e Petróleo, Rafael Ramírez, disse, depois de conhecer a
notícia, que a decisão do tribunal londrino “põe ponto final à abusiva
estratégia do ataque financeiro por via legal da ExxonMobil contra PDVSA, e
dá razão ao Estado venezuelano na defesa do direito soberano sobre o uso de
seus recursos naturais”.
A decisão do juiz Walker “põe em seu lugar a
ExxonMobil”, acrescentou o ministro. “O nosso país inteiro está comemorando
que a decisão é 100 por cento a favor dos interesses da nação, ou seja, que
derrotamos a ExxonMobil, representante dos mais vis interesses
imperialistas”, declarou.
O ministro Ramírez explicou que a origem do
litígio do Estado contra a ExxonMobil remontava aos anos noventa. Naquele
período, assinalou, se desenvolveu no país uma política de entrega da
indústria petroleira, “uma política através da qual se privatizou boa parte
das atividades que correspondiam a nossa indústria Petróleos de Venezuela”.
Junto com essa privatização à margem da
Constituição, assinalou, começou um desmonte do que era o regime fiscal
petroleiro do Estado venezuelano pela via da diminuição das entradas
petroleiras, através dos impostos e das regalias. “Esta política se conheceu
em seu momento como a Apertura Petroleira. A partir de 1999, o governo do
presidente Chávez iniciou uma política de recuperação da plena soberania
petroleira, recuperação do uso do nosso principal recurso”.
Desde 1999, o governo venezuelano desenvolveu
ações para recuperar uma parte substancial da renda petroleira (a diferença
entre o custo de extração e o de venda do petróleo), tanto no terreno
fiscal, a partir de cobrar maiores regalias e impostos às empresas, como no
relacionado diretamente sobre a propriedade das jazidas.
NACIONALIZAÇÃO DO ORINOCO
Neste último aspecto, em 27 de fevereiro de 2007
o governo emitiu um decreto de nacionalização do petróleo da faixa do
Orinoco, um dos maiores reservatórios do mundo, que tinha sido entregue
pelos anteriores governos às transnacionais. No contexto deste decreto de
nacionalização começou o processo para migrar ao esquema de empresas mistas
de todos os projetos vigentes no Orinoco, garantindo a maioria das ações
para a PDVSA.
O governo venezuelano fechou acordos com mais de
dez petroleiras transnacionais, entre elas: Total, da França; Statoil, da
Noruega; Emi, da Itália; British Petroleum, do Reino Unido. Com as que já
operavam na faixa e não aceitaram o acordo de participação mista, o governo
obteve acordos para liquidar sua participação. Só duas companhias, ambas
norte-americanas, não aceitaram nenhum tipo de acerto para reduzir sua
participação ou para encerrá-la, e decidiram acudir à arbitragem
internacional: Conoco Phillips e ExxonMobil.
Essa possibilidade não foi aceita em nenhum
momento por Caracas. A PDVSA ofereceu pagar 750 milhões de dólares, que é o
valor dos ativos que a empresa estadunidense tem na faixa do Orinoco. A
Exxon entrou com a ação por um valor que não tinha nada a ver com a
realidade e o tribunal de Londres encerrou a questão a favor da Venezuela. |