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Manifestações diárias e ações na Justiça pedem suspensão do leilão
Manifestações de rua e ações avolumaram a luta
em defesa da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). A bancada do PT na
Assembléia Legislativa de São Paulo, o presidente da Central Geral dos
Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto, e o Sindicato dos
Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo (Sinergia/CUT) ajuizaram
ação popular com pedido de liminar na Vara da Fazenda Pública Estadual
pedindo a suspensão do leilão.
O Sinergia/CUT contesta o valor de venda da
Cesp, estipulado em R$ 6,6 bilhões. Na avaliação de especialistas
contratados pelo sindicato, a Cesp vale R$ 21 bilhões. “Consideramos a
privatização da Cesp inconstitucional. Trata-se de um patrimônio do Estado
de São Paulo que não causa prejuízo, não há motivos para ser vendido”,
afirmou o presidente da CUT-SP, Edílson de Paula.
Os deputados do PT questionam a venda de ações
pertencentes a outras empresas estatais (Metrô, Sabesp, Dersa, DAEE e CPP)
que integram o capital social da Cesp, pois fere a Constituição Estadual que
determina autorização prévia da Assembléia Legislativa para a venda dessas
ações.
O sindicalista Antonio Neto afirma que o edital
de privatização “é ilegal e lesivo ao patrimônio público”. “Há fatos que
denunciam a subavaliação das ações da Cesp colocadas à venda pelo preço
mínimo de R$ 49,75, com sérios prejuízos ao patrimônio público, como ficou
evidente a lesão ao princípio constitucional da isonomia”, observa o
presidente da CGTB.
Desde o dia 14, com o ato na Praça da República,
têm se multiplicado as manifestações em todas as regiões de São Paulo,
organizadas diariamente pelo Comitê Contra a Privatização da Cesp. “É uma
vergonha vermos todas as empresas estatais prestadoras de serviço serem
privatizadas. Não há vantagem alguma nisso para a população. Os serviços
oferecidos pioram e o quadro de funcionários é reduzido em 60%. Foi assim
que aconteceu na Eletropaulo e na CTEEP”, frisou o presidente do Sindicato
dos Eletricitários de São Paulo e vice-presidente da União Geral dos
Trabalhadores (UGT), Antonio Carlos dos Reis (Salim), no ato na estação
Corinthians-Itaquera do metrô, na Zona Leste.
Nesta quarta-feira (26), os estudantes liderados
pela UNE, UBES, UEE, UPES e UMES - e demais entidades integrantes do Comitê
Contra a Privatização da Cesp - irão realizar uma grande concentração em
frente à Bovespa, a partir das 9h.
Ante à notícia de uma suposta oferta de crédito
por parte do BNDES ao vencedor do leilão, caso esse se concretize, Edílson
de Paula anunciou que a entidade estuda entrar com ação contra o banco, uma
vez que 45% dos seus recursos são oriundos do FGTS, não podendo, segundo o
sindicalista, servir para financiar a privatização. |