|
Lula contesta oposição e afirma
que obras do PAC não vão parar
“O PAC está
gerando aquilo que nós queríamos que ele gerasse: emprego e melhoria na vida das
pessoas”, completou o presidente Lula
O presidente Lula rechaçou, na última
quinta-feira, em Foz do Iguaçu-PR, as afirmações feitas pela oposição de que as
obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) teriam caráter eleitoreiro.
“Isso é de uma cretinice verbal que não tem lógica”, afirmou. “A mim não importa
de que partido é o prefeito, de que partido é o governador. O que importa é que
o Estado tem necessidade, a cidade tem necessidade, nós temos o programa, temos
dinheiro e vamos fazer a obra”, acrescentou.
As afirmações do presidente foram feitas na
presença do governador do Paraná, Roberto Requião, do governador do Mato Grosso
do Sul, André Puccinelli e do presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli de
Azevedo. Na solenidade foi assinado termo de cooperação do governo federal com
os governos estaduais para a construção do alcoolduto entre Campo Grande (MS) e
o Porto de Paranaguá.
Em seu programa semanal, “Café com o
Presidente”, desta segunda-feira, Lula voltou a criticar a oposição
tucano-pefelista, que resolveu entrar no STF para tentar paralisar obras e
projetos de seu governo. “Ora, é no mínimo uma coisa que me deixa indignado. Ou
seja, o governo não está disputando nenhuma eleição. Não tem eleição para
presidente da República e não tem eleição para governador. O PAC é um programa
que o governo federal anunciou com dois anos de antecedência e esse dinheiro
agora está gerando aquilo que nós queríamos que ele gerasse: emprego e melhoria
na vida das pessoas”, afirmou.
“Quando vamos a uma cidade, eu não quero saber
se o prefeito é candidato à reeleição, se o prefeito é do PFL, se o prefeito é
do PT ou do PSDB. Ou seja, eu quero saber que ele tem uma obra importante para
ser feita, sobretudo quando se trata de urbanização de favela e saneamento
básico”, frisou. Segundo Lula, se houvesse algum fundamento nessas acusações,
“não teria sentido fazer convênios com adversários”. “Se fosse verdade”,
prosseguiu, “o governo federal não teria assinado convênio de R$ 8 bilhões com o
Estado de São Paulo e outros com Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Sul, e um
de R$ 1,1 bilhão com a prefeitura de São Paulo, todos governados por integrantes
de partidos adversários”. “Nestes casos não estou subindo no palanque de outro
candidato, estou com quem de direito, naquele momento, representa o município”,
argumentou.
O alcoolduto, anunciado pelo presidente no
encontro de Foz do Iguaçu-PR, faz parte do PAC e seu traçado básico contemplará
as cidades de Campo Grande e Batagussú, no Mato Grosso do Sul, e Maringá e
Londrina, no Paraná. O projeto, com cerca de 920 quilômetros de extensão, tem
sua conclusão prevista para 2010 e o objetivo principal é escoar a produção de
etanol dos dois estados para o mercado de exportação.
EUA
Sobre a crise financeira dos EUA, Lula disse que
ela não deverá atingir o Brasil. “A crise não chegou no Brasil e nós trabalhamos
com a hipótese de que a crise não vai chegar no Brasil. Por algumas razões.
Primeiro porque o sistema financeiro brasileiro não está envolvido nos títulos
imobiliários americanos. Segundo porque o Brasil está com a sua economia sólida
e sustentada muito no seu crescimento interno e, depois, numa política de
exportação muito forte”, explicou. Lula ressaltou que o Brasil está mais forte
porque diversificou seu mercado exportador. “Nós hoje não dependemos apenas de
um ou de outro país. Nós temos uma grande exportação para toda a América Latina,
para a África, para a Europa, para os Estados Unidos, para a Ásia, para o
Oriente Médio”.
O presidente garantiu que o Brasil continuará
crescendo apesar dos problemas provocados pelos especuladores americanos. “Eu
queria dizer ao povo brasileiro que este momento é o momento de nós continuarmos
acreditando no Brasil porque a situação no Brasil está melhorando, o PIB
continua crescendo, os investimentos, crescendo. O crédito está crescendo, o
salário está crescendo, a renda do povo está crescendo e o mercado interno
continua muito forte e nós precisamos acreditar que é isso que vai sustentar o
Brasil e vamos continuar trabalhando para que seja assim”, afirmou o presidente.
Em entrevista, no domingo, para a TV Gazeta,
Lula disse que pretende fazer o seu sucessor e garantiu que a base aliada terá
candidato em 2010. “Eu trabalho com muita vontade de fazer minha sucessão. Se
alguém acha que pelo fato de eu não ser candidato não vamos ganhar as eleições,
pode começar a se preocupar porque estou trabalhando para nós ganharmos a
eleição”, afirmou o presidente. Lula sinalizou também que o acordo PT-PSDB que
está sendo costurado pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o
prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), para a sucessão na capital
mineira poderá ter dificuldades para se concretizar. “O fato de Aécio Neves
estar fazendo um acordo com o prefeito Pimentel não significa que também seja
aceito pelo PT”, avaliou Lula.
|